- Governo brasileiro condena cancelamento do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti como medida hostil e ideológica.
- Decisão dos EUA é vista como tentativa de interferir nas eleições brasileiras e comprometer relações bilaterais.
- Visto foi cancelado sem aviso prévio, causando surpresa ao Ministério das Relações Exteriores.
- Medida é considerada retaliação pela indicação do embaixador norte-americano em Brasília, ainda não aprovada.
- Brasil classifica justificativas dos EUA como falsas e reforça que processo de agrément é confidencial.
O governo brasileiro reagiu nesta terça-feira (4) à decisão dos Estados Unidos de cancelar o visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, chefe da representação diplomática do Brasil em Washington. Em nota oficial, o Palácio do Planalto afirmou que a medida representa uma "escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil", classificou a decisão como motivada por razões ideológicas e acusou o governo norte-americano de tentar interferir nas próximas eleições presidenciais brasileiras.
Governo fala em escalada de tensão
Na manifestação oficial, o governo brasileiro afirmou que a revogação do visto não é um episódio isolado e sustentou que a decisão compromete a relação bilateral entre os dois países.
“A decisão de hoje não é um fato isolado. Faz parte de uma escalada deliberada de medidas hostis ao Brasil, motivadas por razões ideológicas incompatíveis com uma parceria bilateral que sempre foi pautada pelo respeito mútuo”, diz a nota divulgada pelo Palácio do Planalto.
O texto também acusa os Estados Unidos de tentar influenciar o cenário político brasileiro.
“Fica óbvio também o interesse descabido de interferir na próxima eleição para presidente”, acrescenta o comunicado.
Visto foi cancelado sem aviso prévio
O cancelamento do visto de Maria Luiza Viotti foi anunciado nesta terça-feira pelo governo do presidente Donald Trump. A diplomata ocupa o cargo de embaixadora do Brasil em Washington desde 2023 e foi a primeira mulher a chefiar a representação brasileira na capital norte-americana.
Segundo o governo brasileiro, o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) não foi informado previamente sobre a decisão.
Retaliação envolve indicação de embaixador
A medida é tratada pelo governo brasileiro como uma retaliação relacionada ao processo de nomeação do novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
O deputado estadual da Flórida Daniel Perez foi indicado pelo governo Trump, em 1º de junho, para assumir a embaixada norte-americana em Brasília. No entanto, o governo brasileiro ainda não concedeu o agrément, autorização diplomática necessária para que um embaixador possa assumir oficialmente o posto no país de destino.
Brasil rebate justificativas dos EUA
Na nota, o governo brasileiro também contestou as justificativas apresentadas pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Segundo o Planalto, o processo de concessão do agrément é confidencial, e o nome do indicado só deveria ser divulgado após a autorização formal do país que receberá o diplomata.
Diante disso, o governo classificou como "falsas" as justificativas apresentadas pelas autoridades norte-americanas para o cancelamento do visto da embaixadora brasileira.