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Bolsonaro deve ser julgado no STM sob presidência de ministro indicado por ele

Leonardo Puntel deve assumir o comando da Corte em 2027; mudança na presidência permitirá que a atual presidente, Maria Elizabeth Rocha, participe da votação dos processos

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  • Ex-presidente Bolsonaro será julgado pelo STM em 2027, podendo perder posto e patente militar.
  • Julgamento será conduzido por almirante Leonardo Puntel, indicado por Bolsonaro em 2020.
  • Processos envolvem militares condenados pelo STF por tentativa de golpe de Estado.
  • Adiamento ocorre devido a novas regras e discussões sobre indulto no Congresso.
  • Condenados continuam recebendo salários enquanto não há decisão judicial.
Sessão do Superior Tribunal Militar (STM) | Foto: Reprodução/ undefined
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deve ser julgado pelo Superior Tribunal Militar (STM) no próximo ano, em processo que pode resultar na perda de seu posto e patente militar. A análise deve ocorrer sob a presidência do almirante de esquadra Leonardo Puntel, ministro indicado pelo próprio Bolsonaro para integrar a Corte em 2020.

Os julgamentos envolvem militares condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado. A expectativa é que os casos sejam analisados somente em 2027, já que os ministros avaliam que não haverá tempo hábil para concluir as etapas processuais e preparar os votos antes do recesso judiciário, previsto para começar em 20 de dezembro.

Em meados de dezembro, o plenário do STM deve realizar a eleição do novo presidente. O mandato da atual presidente, Maria Elizabeth Rocha, termina no início de 2027. Pela tradição da Corte, a escolha segue um sistema de rodízio entre ministros militares da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, além dos ministros civis. Nesse modelo, Puntel é o próximo a assumir o comando do tribunal.

Embora seja responsável por definir as datas dos julgamentos, o presidente do STM não participa das votações, exceto em situações de empate. Com a mudança, o voto de Puntel será substituído pelo de Maria Elizabeth Rocha, que poderá participar da análise dos processos.

A ministra já fez críticas contundentes às tentativas de golpe de Estado, aos ataques de 8 de janeiro de 2023 e à participação de militares em movimentos de ruptura democrática.

Em declarações públicas, Maria Elizabeth afirmou que os ataques às sedes dos Três Poderes foram resultado de um processo gradual de tolerância a comportamentos antidemocráticos que deveriam ser considerados "intoleráveis". Ela também classificou a participação de militares em tentativas de ruptura institucional como uma "traição" à Constituição.

Maria Elizabeth está no tribunal desde 2007 e foi a primeira mulher eleita para presidir o STM.

Por que os julgamentos foram adiados?

Apesar de o Ministério Público Militar ter apresentado os pedidos de perda de posto e patente há nove meses, uma série de fatores tem prolongado a tramitação dos processos.

Em junho, o STM estabeleceu um novo rito para esse tipo de julgamento, permitindo a indicação de provas ao longo do procedimento, inclusive com o compartilhamento de documentos produzidos no STF.

A regra também passou a permitir a apresentação de declarações escritas de testemunhas abonatórias, que têm a finalidade de atestar a conduta e a reputação dos militares, sem abordar diretamente os fatos que levaram às condenações criminais.

Com as mudanças, as defesas intensificaram a busca por provas favoráveis aos acusados e passaram a solicitar novas providências. Os pedidos prolongaram a fase de instrução e, consequentemente, atrasaram a conclusão dos processos.

Outro fator considerado pelos ministros são as discussões no Congresso Nacional sobre a possibilidade de indulto ou anistia aos condenados. Caso uma dessas propostas avance, a discussão no STM poderá perder parte de sua finalidade.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), já considera liderar um movimento em favor de um indulto a Bolsonaro e de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A iniciativa também é relacionada à busca de apoio para sua reeleição ao comando da Casa.

Condenados continuam recebendo salários

Enquanto não há uma decisão definitiva da Justiça Militar sobre a perda de posto e patente, os condenados continuam recebendo a remuneração correspondente à carreira.

No caso de Bolsonaro, o valor líquido é de R$ 9.529,57. Entre os militares envolvidos, a maior remuneração é recebida pelo general da reserva Augusto Heleno, que ganha R$ 24.991,13 líquidos pelo posto. Ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Bolsonaro, ele foi condenado a 21 anos de prisão.

Depois que forem atendidos todos os pedidos de indicação de provas e diligências, o relator de cada processo deverá elaborar seu voto. Em seguida, o caso será encaminhado a um ministro revisor.

Após a devolução do processo pelo revisor, o relator poderá solicitar a inclusão do julgamento na pauta do tribunal. A definição da data caberá ao presidente do STM.

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