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“Beto Louco” e “Primo” articulam delação que pode derrubar “metade do Congresso”

Apontados como principais investigados da Operação Carbono Oculto, os dois são citados pelas autoridades como figuras estratégicas.

Os empresários Mohamad Hussein Mourad (esq.), o ‘Primo’, e Roberto Augusto Leme da Silva (dir.), o ‘Beto Louco’. | Foto: Reprodução
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Os empresários Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, apelidado de “Beto Louco”, mantêm tratativas para firmar um acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). A informação foi divulgada pelo Blog do Fausto Macedo, do Estadão.

ALVOS CENTRAIS
Apontados como principais investigados da Operação Carbono Oculto, os dois são citados pelas autoridades como figuras estratégicas em uma ofensiva voltada a desarticular a presença do crime organizado na economia formal, especialmente no chamado “andar de cima” do PCC, com ramificações na região da Avenida Faria Lima, na capital paulista.

FORAGIDOS
Segundo a reportagem, Mourad e Leme da Silva estão foragidos e as negociações ocorrem com promotores especializados no enfrentamento ao crime organizado. Ainda conforme o texto, ambos negam “enfaticamente” qualquer vínculo com o PCC.

GRAVES ALEGAÇÕES
Fontes ouvidas pelo Estadão afirmam que os empresários sustentam possuir informações capazes de “derrubar metade do Congresso”. A mesma apuração atribui a essas fontes a estimativa de que os valores envolvidos somariam “mais de meio bilhão de reais em propinas a parlamentares e autoridades”.

PROVAS ALEGADAS
De acordo com o relato, os investigados dizem dispor de “provas” para respaldar as acusações. Entre os materiais citados estaria um conjunto de mensagens de WhatsApp que indicariam reuniões presenciais, realizadas diretamente ou por intermédio de “laranjas”, para a entrega de vantagens ilícitas. O dinheiro, ainda segundo a reportagem, estaria ligado a pedidos de “alívio” regulatório no setor de combustíveis, área em que atuam por meio de uma rede de postos.

POSIÇÃO DO MP
Em nota mencionada na matéria, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, afirmou: “Chegaremos não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos. Nosso objetivo é impessoal.”
Na sequência, acrescentou: “qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis”.

ÂMBITO DA NEGOCIAÇÃO
Ainda conforme o texto, as eventuais tratativas de colaboração não passam diretamente pela Procuradoria-Geral, permanecendo sob análise dos promotores que atuam na Operação Carbono Oculto, deflagrada em 28 de agosto do ano passado.

ALCANCE DA OPERAÇÃO
A ofensiva, segundo a reportagem, atingiu empresas do setor de combustíveis, além de fintechs e fundos de investimento sediados na região da Faria Lima.

MOVIMENTAÇÕES BILIONÁRIAS
A apuração cita estimativas de investigadores segundo as quais braços do PCC teriam movimentado R$ 52 bilhões no período analisado, com suposta blindagem financeira por meio de 40 fundos de investimento.

INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS
Também é mencionado que a BK Bank teria registrado R$ 17,7 bilhões em transações consideradas suspeitas, com avaliação dos investigadores de que 80% desse valor, no intervalo apurado, teria ligação com o PCC. À época, o banco declarou ter sido “surpreendido” pela operação e afirmou atuar com transparência e rigorosos padrões de compliance.

OUTROS ENVOLVIDOS
A reportagem cita ainda a Reag Investimentos, gestora do fundo Location no primeiro semestre de 2020, apontando que o único cotista seria Renato Steinle de Camargo, descrito nas investigações como “testa de ferro” de “Primo” e “Beto Louco”.

ESTRATÉGIA DE DEFESA
Segundo o Estadão, os empresários estariam “impacientes” e veem a delação como um caminho para reduzir riscos de condenações por crimes como fraudes, sonegação, delitos tributários e organização criminosa. Eles também alegam que relatos já teriam sido encaminhados, mas “sentaram em cima em Brasília”. Procurado, o advogado dos investigados afirmou que não comentaria as negociações.

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