- Apartmento de Eduardo Bolsonaro será leiloado pela Caixa após inadimplência no financiamento.
- Imóvel localizado em Botafogo, Rio, terá lance mínimo de R$ 644,3 mil em leilão online.
- Financiamento de R$ 780 mil foi retomado pela Caixa após não pagamento das parcelas.
- Imóvel foi avaliado em R$ 1,011 milhão e está disponível para arrematação em agosto.
- Averbação de indisponibilidade foi registrada antes da retomada do imóvel pela Caixa.
O apartamento que pertenceu ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), localizado em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, será leiloado pela Caixa Econômica Federal no dia 20 de agosto, após o banco retomar o imóvel por causa da inadimplência do financiamento. Avaliado em R$ 1,011 milhão, o apartamento poderá ser arrematado por lance mínimo de R$ 644,3 mil, em disputa exclusivamente online.
O imóvel fica na Avenida Pasteur, tem aproximadamente 101 metros quadrados e está situado no terceiro andar de um edifício de frente para a Baía de Guanabara. A informação foi revelada pelo jornalista Ruben Berta, no Jornal Ururau.
Financiamento
De acordo com os documentos do imóvel, Eduardo Bolsonaro adquiriu o apartamento em 2017, por aproximadamente R$ 1 milhão. Parte do pagamento foi feita diretamente na compra, enquanto R$ 780 mil foram financiados pela Caixa.
O contrato de financiamento, registrado em outubro daquele ano, previa prazo de 420 meses, pelo Sistema de Amortização Constante (SAC). Na mesma ocasião, foi registrada a alienação fiduciária do imóvel em favor da instituição financeira.
Após o não pagamento das parcelas, a Caixa iniciou o procedimento para cobrança da dívida. O banco tentou realizar a intimação pessoal do então proprietário e, posteriormente, publicou um edital eletrônico nos dias 5, 6 e 7 de novembro de 2025, dando prazo para a regularização da situação.
Como os pagamentos não foram realizados, a propriedade foi consolidada em nome da Caixa em 30 de março de 2026. Após a transferência, o banco também recolheu R$ 31.471,83 em ITBI ao município do Rio de Janeiro.
Compra teve pagamento em dinheiro
A aquisição do imóvel já havia sido alvo de reportagens por causa da forma como parte do pagamento foi realizada. Segundo a escritura pública, Eduardo Bolsonaro deu um sinal de R$ 81 mil, pagou outros R$ 100 mil em espécie no momento da assinatura e se comprometeu a quitar mais R$ 18,9 mil poucos dias depois.
O restante do valor foi financiado pela Caixa. A documentação também mostra que Eduardo Bolsonaro havia comprado outro apartamento, em Copacabana, em 2011, antes de exercer mandato parlamentar. Na ocasião, o imóvel foi adquirido por R$ 160 mil, sendo R$ 110 mil pagos por cheque administrativo e R$ 50 mil em espécie.
Uma reportagem publicada pelo UOL em 2022 apontou que 51 imóveis comprados pela família Bolsonaro tiveram pagamentos realizados em dinheiro vivo. Segundo o levantamento, os valores corrigidos pela inflação corresponderiam atualmente a quase R$ 26 milhões.
Indisponibilidade
Antes da retomada do apartamento pela Caixa, a matrícula do imóvel recebeu uma averbação de indisponibilidade de bens determinada pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
O registro foi feito em 22 de julho de 2025 e faz referência a uma ordem expedida em processo que tramita no STF. A matrícula, porém, não detalha o conteúdo da decisão nem apresenta os fundamentos da determinação.
Mesmo com a averbação, o procedimento relacionado ao financiamento continuou. A Caixa realizou as intimações previstas e, após o fim do prazo para regularização da dívida, consolidou a propriedade do apartamento em seu nome.
Leilão em agosto
Agora, o imóvel integra a Licitação Aberta da Caixa, marcada para 20 de agosto. Conforme o edital, a disputa será realizada exclusivamente pela internet e vencerá o participante que apresentar a maior proposta acima do lance mínimo estabelecido pelo banco.
O valor mínimo definido para o apartamento é de R$ 644,3 mil, aproximadamente 36% abaixo da avaliação de R$ 1,011 milhão feita pela própria Caixa.