- Ministro Moraes pede manifestação da PGR sobre recurso da defesa de Bolsonaro contra proibição de visitas.
- Defesa pede revisão da decisão que bloqueia visitas de Flávio Bolsonaro à prisão domiciliar do pai.
- Advogados alegam que proibição é desproporcional e viola direitos assegurados pela Lei de Execução Penal.
- Moraes suspende visitas de Flávio por 90 dias e proíbe visitas políticas até 2026.
- Defesa cita normas internacionais e reitera que restrições devem ser proporcionais e necessárias.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre os recursos da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra a proibição de visitas de Flávio Bolsonaro (PL-DF). O ministro deu cinco dias de prazo para a manifestação.
A defesa de Bolsonaro pediu a Moraes que reveja a decisão que proibiu o senador e pré-candidato à Presidência de visitar o pai na prisão domiciliar. Se Moraes não atender ao pedido, os advogados do ex-presidente querem que o caso seja analisado pela Primeira Turma do STF.
A defesa de Jair Bolsonaro argumenta no pedido que a proibição imposta por Moraes é "desproporcional diante da natureza da conduta imputada". O ex-presidente estava proibido de utilizar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
Após uma visita ao pai, Flávio divulgou nas redes uma carta escrita à mão por Jair, na qual o ex-presidente conclama os seus apoiadores a se unirem em torno da pré-candidatura do filho à Presidência da República.
Em julho, Moraes suspendeu, durante 90 dias, as visitas do senador ao ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar — o que abrange todo o período da campanha eleitoral. Para o ministro, houve um desvio de finalidade do direito de visita e um descumprimento da proibição de utilizar redes sociais.
"A suspensão integral das visitas entre pai e filho pelo prazo de noventa dias representa severa restrição a direito expressamente assegurado pela Lei de Execução Penal e reiteradamente protegido pela sistemática protetiva internacional, sem que a gravidade concreta dos fatos revele necessidade equivalente", afirmou a defesa do ex-presidente.
Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 três meses de prisão em casa, condenado por tentar dar um golpe de Estado. A prisão domiciliar foi concedida por razões humanitárias, devido à sua condição de saúde. Moraes é o relator da execução penal no Supremo.
Moraes também determinou que o ex-presidente não poderá receber visitas com finalidade "político-eleitoral" até o final das Eleições 2026. Além disso, suspendeu visitas gerais a Bolsonaro por 30 dias, com exceção de visitas permanentes da equipe médica, fisioterapêutica e dos advogados.
Na decisão, o ministro manteve a suspensão por 90 dias das visitas de Flávio ao pai. A defesa de Bolsonaro cita a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e outras normas internacionais para sustentar que a regra geral é que um condenado possa manter contato com a família e o mundo exterior, com vistas à ressocialização.
Eventuais restrições de direitos de um preso, segundo os advogados, devem observar os "postulados da necessidade, da adequação e da proporcionalidade".
Os advogados do ex-presidente afirmam ainda que, em dezembro passado, o ex-presidente já havia escrito uma carta divulgada por Flávio — na ocasião em que o senador lançou sua pré-candidatura à Presidência — e que aquele episódio não gerou questionamentos.
Eles também afirmam que, além de filho, Flávio é advogado de Jair Bolsonaro e integra formalmente sua defesa.
"A manutenção da decisão [que proibiu as visitas] acaba por repercutir não apenas sobre prerrogativa profissional do advogado, mas igualmente sobre direito do próprio Agravante [Jair] de comunicar-se com um dos profissionais livremente escolhidos para exercer sua defesa técnica", dizem os advogados no pedido a Moraes.