- Vice-presidente Geraldo Alckmin anuncia programa de apoio a empresas brasileiras afetadas pela tarifa norte-americana de 25%.
- Governo avalia aplicar Lei da Reciprocidade Econômica para proteger interesses nacionais contra tarifas consideradas abusivas.
- Ministro Marcio Elias Rosa afirma que reuniões com setores afetados começam na próxima segunda-feira, em conjunto com o ministro da Fazenda.
- Governo estima que 18% das exportações brasileiras para os EUA serão impactadas, equivalente a US$ 7,4 bilhões em 2024.
- Órgãos como ApexBrasil, BNDES e ABDI intensificarão ações para abrir novos mercados e reduzir impactos da tarifa norte-americana.
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) informou nesta quinta-feira (16) que o governo federal prepara um programa de apoio às empresas brasileiras impactadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Segundo ele, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende oferecer suporte aos setores que sofrerem prejuízos com a medida.
"O presidente, o governo do presidente Lula trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro. Quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Então o governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas", afirmou Alckmin.
Lei da Reciprocidade pode ser utilizada
Durante o anúncio, o vice-presidente também destacou que o governo avalia recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica, instrumento aprovado pelo Congresso Nacional que autoriza o Brasil a adotar contramedidas diante de tarifas ou barreiras comerciais consideradas abusivas impostas por outros países.
Segundo Alckmin, a eventual aplicação da legislação ocorrerá no momento considerado adequado pelo governo e terá como objetivo proteger os interesses nacionais.
"Destacar que nós temos uma lei que é a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo no momento adequado, saberá como implementá-la", afirmou. "A lei não é retaliatória. Não há retaliação. O que existe uma lei que defendendo o interesse nacional, o interesse dos brasileiros, da economia brasileira", completou.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, explicou que o governo oferecerá apoio às empresas por diferentes mecanismos e que as reuniões com os setores afetados terão início na próxima segunda-feira (20), em conjunto com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo Durigan, o governo pretende ampliar o Plano Brasil Soberano, criado no ano passado para enfrentar os impactos das primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos.
"Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos", declarou.
O ministro da Fazenda acrescentou que, embora alguns segmentos sejam diretamente atingidos, o impacto não deverá comprometer o desempenho da economia brasileira como um todo.
Cerca de 18% das exportações serão atingidas
O governo estima que 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos serão afetadas pela nova tarifa anunciada pelo governo norte-americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, considerando o fluxo comercial registrado em 2024.
"Queria destacar que nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações para os Estados Unidos atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões. Isso levando em conta o ano de 2024, antes, portanto, do início do tarifaço", afirmou Marcio Elias Rosa.
Como estratégia para reduzir os impactos, Alckmin informou que órgãos como a ApexBrasil, o BNDES e a ABDI intensificarão as ações voltadas à abertura de novos mercados internacionais.
"A Apex, o BNDE, a ABDI vão fazer um empenho redobrado pra gente abrir novos mercados e crescer ainda mais o comércio exterior. Mas, destacando que o ano passado foi o recorde de exportação e este ano, no primeiro semestre também recorde de exportação", concluiu o vice-presidente.