- O TSE suspendeu julgamento sobre pesquisa de Flávio Bolsonaro.
- A decisão foi tomada após pedido de vista da ministra Estela Aranha.
- Kassio Nunes Marques impede divulgação da pesquisa, alegando indução nas respostas.
- O julgamento permanece suspenso sem previsão de retorno à pauta do TSE.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu nesta terça-feira (9) o julgamento que analisa a decisão individual do presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, que determinou a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação de uma pesquisa realizada pelo Instituto AtlasIntel. A interrupção ocorreu após pedido de vista da ministra Estela Aranha, que solicitou mais tempo para avaliar o caso.
Com a suspensão do julgamento, permanece válida a decisão proferida por Kassio Nunes Marques na segunda-feira (8), que impediu a divulgação do levantamento. Ainda não há prazo definido para a retomada da análise pelo plenário do TSE.
Durante a sessão, ministros destacaram a relevância do caso e os possíveis impactos da decisão para as campanhas eleitorais e para a realização de pesquisas durante o período eleitoral.
Pesquisa apontava queda de Flávio Bolsonaro
O levantamento suspenso indicava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro. A decisão gerou debate sobre os critérios utilizados na elaboração e divulgação de pesquisas eleitorais.
Durante a sessão, Kassio Nunes Marques informou que pretende abrir um canal de diálogo com os institutos de pesquisa para discutir critérios metodológicos e procedimentos adotados na realização dos levantamentos eleitorais. A iniciativa busca ampliar a discussão sobre transparência e confiabilidade das pesquisas divulgadas durante o processo eleitoral.
Relator vê indícios de indução nas respostas
Ao votar pela manutenção da suspensão, o presidente do TSE reafirmou os fundamentos apresentados em sua decisão individual. Segundo o ministro, existem elementos que sugerem possível indução das respostas dos entrevistados, especialmente em razão da forma como algumas perguntas teriam sido apresentadas.
Entre os fatores apontados estão a divulgação de áudio e a sequência utilizada no questionário. De acordo com Nunes Marques, uma análise preliminar indica que determinados quesitos podem ter ultrapassado o objetivo de simplesmente medir a opinião dos eleitores.
Extrapolar a simples aferição neutra da opinião pública para introduzir estímulos narrativos possivelmente aptos a influenciar as respostas subsequentes relativas à intenção de voto, à rejeição e à avaliação de imagem do pré-candidato mencionado na representação, afirmou o ministro.
Corte analisa possível influência sobre entrevistados
O relator destacou que a discussão não se limita a divergências metodológicas entre o TSE e o instituto responsável pela pesquisa. Segundo ele, o ponto central da análise é a alegação de que o questionário poderia ter sido utilizado como mecanismo de influência sobre os entrevistados.
Para o ministro, a ordem das perguntas e o uso de expressões com carga valorativa negativa podem ter afetado as respostas relacionadas à intenção de voto e à imagem do pré-candidato citado no processo.
Com o pedido de vista apresentado pela ministra Estela Aranha, o julgamento permanece suspenso e sem previsão de retorno à pauta do Tribunal Superior Eleitoral. Até que o caso volte a ser analisado pelo plenário, continua valendo a decisão que impede a divulgação da pesquisa eleitoral.