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Viúva descobre dívida de quase R$ 1 milhão após morte de PM por vício em bets

Enfermeira afirma que marido contraiu empréstimos com bancos, amigos e agiotas para sustentar o vício em apostas esportivas e que passou a ser cobrada após a morte dele.

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  • Enfermeira revela que marido acumulou dívida de quase R$ 1 milhão antes de morrer em setembro de 2023.
  • Policial contraiu empréstimos com amigos, bancos e agiotas para sustentar vício em apostas esportivas.
  • Após morte do marido, Raquel passou a ser cobrada por credores e enfrenta processos judiciais.
  • Caso voltou à atenção após vídeo publicado por Raquel, que relata impactos emocionais e financeiros.
  • Viúva afirma que marido nunca buscou tratamento formal por não revelar vício em apostas.
Viúva descobre dívida de quase R$ 1 milhão após morte de PM por vício em bets | Foto: Reprodução
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A enfermeira Raquel Maria de Oliveira Negrão, viúva do policial militar Danilo Lopes Negrão, revelou que só descobriu que o marido havia acumulado uma dívida de quase R$ 1 milhão após a morte dele, em setembro de 2023. Segundo ela, o policial contraiu empréstimos com bancos, amigos e até agiotas para sustentar o vício em apostas esportivas, conhecido como ludopatia, e, depois da morte, ela passou a receber cobranças de credores. O caso voltou a repercutir após Raquel publicar um vídeo relatando os impactos causados pelo transtorno.

Em entrevista, a enfermeira contou que o marido começou a apostar durante a Copa do Mundo de 2022 e, com o passar dos meses, mergulhou em uma crise financeira e emocional. Segundo ela, o policial entrou em depressão diante do volume de dívidas acumuladas.

"Ele entrou numa depressão porque estava devendo muito dinheiro e viu que estava perdendo a dignidade dele como homem", relatou.

Planilha revelou tamanho das dívidas

Raquel afirmou que só teve dimensão da situação dias após a morte do marido. Ao verificar o computador dele, encontrou uma planilha com os nomes das pessoas e instituições das quais ele havia tomado dinheiro emprestado.

"Depois de alguns dias, eu fui analisar o computador e vi uma planilha com os nomes das pessoas com quem ele tinha pegado dinheiro emprestado. Amigos e alguns agiotas. E pegou empréstimo com banco também", contou.

Segundo a enfermeira, Danilo buscava recursos com qualquer pessoa que aceitasse emprestar dinheiro.

"Ele pegava empréstimos com todo mundo que ele podia. As pessoas emprestavam porque ele era uma pessoa honesta. Ninguém imaginava o que ele estava passando."

Cobranças começaram após a morte

Durante os cerca de dez meses em que o policial enfrentou o vício, Raquel afirmou que passou a arcar praticamente sozinha com as despesas da casa, enquanto o marido utilizava os recursos obtidos em empréstimos para continuar apostando.

"Eu comecei a ficar doente emocionalmente por causa disso. Tive uma alergia no corpo. Ele pegando dinheiro emprestado e apostando. E as contas da casa ficaram todas para mim."

Ela relata que o período após a morte foi ainda mais difícil, já que passou a ser procurada por pessoas que cobravam os valores emprestados ao marido.

"Muita gente próxima chegou e falou: 'Olha, o Danilo deixou uma dívida comigo. Eu queria ver como você vai fazer para pagar essa dívida'."

Quase três anos depois, Raquel afirma que ainda enfrenta consequências financeiras. Segundo ela, a casa onde mora não pode ser vendida em razão de processos judiciais relacionados às dívidas.

Policial buscou ajuda, mas abandonou tratamento

De acordo com a viúva, a família incentivou Danilo a procurar atendimento psicológico. No entanto, ela descobriu posteriormente que ele faltava às sessões e nunca informou aos profissionais de saúde que enfrentava um vício em apostas.

Por isso, o policial nunca recebeu diagnóstico formal de ludopatia, transtorno caracterizado pela compulsão em jogos de azar.

Raquel contou que decidiu tornar a história pública durante a Copa do Mundo de 2026, ao reviver lembranças do início do problema.

"Foi o jogo do dia 9 de dezembro, dia do meu aniversário."

Segundo ela, foi justamente após a derrota do Brasil para a Croácia, nas quartas de final da Copa de 2022, que o marido perdeu uma grande quantia de dinheiro em apostas, agravando ainda mais sua situação financeira.

Mercado de apostas passou por mudanças

A viúva ressaltou que o marido era viciado em apostas esportivas, e não em jogos de cassino on-line. O caso ocorreu antes da regulamentação do setor, estabelecida pela Lei nº 14.790/2023.

Desde o início do mercado regulado, em 2025, as plataformas autorizadas pelo Ministério da Fazenda (MF) passaram a oferecer ferramentas de autoexclusão, permitindo que o próprio apostador bloqueie seu acesso às apostas. Em dezembro de 2025, o governo também lançou a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, que possibilita o bloqueio do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) em todas as casas de apostas legalizadas.

O Ministério da Saúde (MS) orienta que pessoas com sinais de compulsão por jogos, ou seus familiares, procurem atendimento especializado. A pasta também disponibiliza um Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, com orientações sobre prevenção e tratamento da ludopatia.

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