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Servidores do MP se infiltraram entre clientes para investigação de Virginia Fonseca

Ministério Público afirma que monitorou comunicações da plataforma para reunir provas em ação que pede R$ 120 milhões de indenização contra a influenciadora e a casa de apostas

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  • MPDFT infiltrou servidores na Blaze para coletar provas de práticas publicitárias abusivas durante a Copa do Mundo de 2026.
  • A ação civil pública pede R$ 120 milhões a Virginia Fonseca e a Blaze por práticas que configuram publicidade enganosa.
  • As mensagens promocionais da Blaze usavam linguagem persuasiva e criavam urgência, com condições ocultas no rodapé.
  • A defesa de Virginia Fonseca afirma que as alegações são baseadas em presunções e que o MPDFT deveria aguardar apurações internas.
  • A Blaze afirma não ter sido formalmente intimada e reforça seu compromisso com a transparência e a legislação vigente.
Virginia Fonseca | Foto: Reprodução
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Servidores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) se infiltraram entre clientes da plataforma de apostas Blaze para reunir provas que embasam a ação civil pública movida contra a empresa e a influenciadora Virginia Fonseca. A informação consta no processo de 855 páginas obtido pela CNN Brasil.

Segundo o promotor Paulo Binicheski, responsável pela ação, a iniciativa teve como objetivo monitorar as comunicações promocionais e de marketing enviadas pela plataforma, preservando a cadeia de custódia digital das provas coletadas.

"O objetivo foi monitorar as comunicações promocionais e de marketing da operadora, garantindo a preservação da cadeia de custódia digital dos documentos obtidos. Foram incorporados aos autos e-mails publicitários enviados pela Blaze, capturados em formato PDF a partir da interface web do serviço Gmail. A extração preservou os metadados verificáveis, incluindo endereços de remetente e destinatário, data, hora, conteúdo integral e a identificação da operadora no rodapé", afirmou o promotor.

A cadeia de custódia corresponde ao registro de todo o percurso de uma prova, desde sua obtenção até sua apresentação no processo, garantindo que o material não sofreu alterações.

Estratégia de marketing

De acordo com o MPDFT, os documentos reunidos mostram que a Blaze adotava uma estratégia sistemática de envio de e-mails promocionais aos consumidores cadastrados.

Segundo a Promotoria, as mensagens utilizavam linguagem persuasiva, criavam um senso artificial de urgência e prometiam benefícios para estimular a realização de apostas.

Além disso, o Ministério Público aponta que as condições para participação nas promoções apareciam apenas no rodapé das mensagens, em fonte menor, o que, em tese, configura publicidade enganosa por omissão, conforme o Código de Defesa do Consumidor.

Ação pede R$ 120 milhões

A ação civil pública foi ajuizada pelo MPDFT nesta quinta-feira (9) e pede que Virginia Fonseca e a Blaze sejam condenadas ao pagamento de R$ 120 milhões por supostas práticas publicitárias abusivas para atrair consumidores às apostas esportivas durante a Copa do Mundo de 2026.

Segundo o Ministério Público, a investigação começou após denúncias de consumidores que relataram retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar recursos depositados na plataforma.

Em relação à influenciadora, o promotor afirma que Virginia publicou conteúdos incentivando apostas na Blaze durante a Copa do Mundo, especialmente em uma partida de Cabo Verde, sem indicar de forma clara o caráter publicitário das postagens.

O que diz a defesa de Virginia?

"As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.

Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda.

A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora.

A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca."

O que diz a Blaze?

"A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário."

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