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Servidor ameaça indígenas após vitória de Lula: “Tem que pôr veneno na água”

Funcionário municipal de Tacuru foi afastado após áudio com ameaças a moradores da Aldeia Sassoró; Polícia Federal foi acionada para investigar o caso

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  • Funcionário da Prefeitura de Tacuru ameaçou envenenar água de indígenas após vitória de Lula, segundo denúncia de lideranças.
  • Prefeito afastou servidor e abriu processo administrativo após circulação de áudio com declarações ofensivas.
  • Governo federal acionou Polícia Federal para investigar ameaças contra indígenas em Mato Grosso do Sul.
  • Cacique indígena condenou declarações e reforçou direito de comunidade escolher candidatos nas eleições.
  • Apib buscou apoio do Ministério dos Povos Indígenas para proteger comunidades após ameaças eleitorais.
Prefeitura de Tacuru (MS) | Foto: Reprodução Instagram
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Um servidor da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, ameaçou envenenar a água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, no domingo (25). A denúncia foi apresentada por lideranças indígenas na terça-feira (27), depois que um áudio com as declarações circulou em um grupo de WhatsApp.

O prefeito Rogério Torquetti (PSDB) confirmou o afastamento temporário do funcionário e informou que será aberto um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta. O governo federal também acionou a Polícia Federal (PF) para investigar o caso. O nome do servidor não foi divulgado.

Na gravação, o funcionário faz declarações ofensivas contra os indígenas e sugere contaminar a água consumida pela comunidade.

“Essas pragas do caralho, do demônio. Tem que por veneno na água, tem que matar essas pragas na água”, diz o homem no áudio.

Prefeitura afasta servidor e abre processo administrativo

Segundo Rogério Torquetti, a gravação circula desde domingo, dia do segundo turno, e as ameaças teriam sido direcionadas aos moradores da Aldeia Sassoró.

Em vídeo publicado no Instagram, o prefeito informou que o servidor trabalha na área de infraestrutura, operando um caminhão-caçamba, e não atua na distribuição de água.

“Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, declarou.

Torquetti também pediu desculpas pelas declarações atribuídas ao funcionário.

O prefeito havia apoiado a candidatura derrotada do senador Flávio Bolsonaro (PL). Após o resultado eleitoral, publicou uma mensagem defendendo a união da população, independentemente de origem ou etnia.

Na publicação, afirmou que os moradores de Tacuru formam “um só povo, indígenas, brancos, pardos, negros, quilombolas” e defendeu que, encerrada a disputa eleitoral, todos trabalhem juntos pelo município, pelo Mato Grosso do Sul e pelo Brasil.

Cacique repudia ameaça e cobra responsabilização

O cacique Ivan Montiel, líder da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, condenou as declarações e afirmou que a comunidade não aceitará ameaças motivadas por preconceito.

“Eu gostaria de deixar aqui na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró que não vamos aceitar este tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou.

Montiel também ressaltou que os indígenas têm o mesmo direito de qualquer cidadão de escolher seus candidatos nas eleições.

“Nós temos o direito, como qualquer cidadão, de escolher em quem vamos votar”, completou.

Governo federal aciona Polícia Federal

Diante do caso e de outras ameaças contra indígenas em Mato Grosso do Sul, o governo federal acionou a Polícia Federal para investigar as ocorrências.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também procurou o Ministério dos Povos Indígenas em busca de apoio e medidas de proteção às comunidades.

Até a última atualização das informações fornecidas, não havia registro de prisões relacionadas a ameaças contra povos indígenas de Mato Grosso do Sul após o encerramento das eleições.

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