- Héctor Rusthenford Guerrero Flores, líder do Tren de Aragua, foi morto em operação conjunta entre EUA e Venezuela.
- A ação ocorreu no estado de Bolívar, sudeste da Venezuela, durante confrontos com forças de segurança.
- Guerrero era apontado como principal líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua.
- O governo dos EUA oferecia recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à captura do líder do grupo.
Uma operação conjunta entre Estados Unidos e Venezuela resultou na morte de Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como "Niño Guerrero", apontado como principal líder da organização criminosa venezuelana Tren de Aragua. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (12) por autoridades dos dois países.
Segundo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a ação foi conduzida pelo Comando Sul americano. O governo venezuelano informou que a operação ocorreu no estado de Bolívar, no sudeste do país, e que Guerrero foi morto durante confrontos com forças de segurança.
Dos pequenos crimes ao comando da facção
Nascido em 1983, na cidade de Maracay, capital do estado de Aragua, Guerrero iniciou sua trajetória criminosa no início dos anos 2000, com envolvimento em roubos e outros delitos.
Em 2005, ele participou de um ataque a uma delegacia que resultou na morte do policial Oswaldo González.
Anos depois, em 2010, foi preso por crimes como tráfico de drogas, homicídio e roubo, sendo enviado para a prisão de Tocorón. Após fugir da unidade em 2012, tornou-se um dos criminosos mais procurados da Venezuela, até ser recapturado no ano seguinte.
Em 2018, recebeu condenação de 17 anos de prisão por homicídio, tráfico de drogas, roubo de identidade e ocultação de armamento de guerra.
A prisão que virou símbolo de poder
Mesmo encarcerado, Niño Guerrero continuou exercendo influência sobre o Tren de Aragua e consolidou a expansão da organização para outros países da América Latina.
Durante o período em que esteve na Penitenciária de Tocorón, o local ganhou fama internacional pelas regalias atribuídas ao grupo criminoso.
Entre as estruturas existentes no complexo estavam piscina, cassino, boate, estádio de beisebol, bares, restaurantes, caixas eletrônicos, áreas para criação de animais e até um zoológico com espécies como pumas, onças e avestruzes.
Fuga após megaoperação militar
Em 2023, as autoridades venezuelanas lançaram uma ampla operação para retomar o controle da prisão.
Durante a ação, agentes encontraram armas de guerra, explosivos, granadas, lança-foguetes e túneis utilizados para comunicação com áreas externas.
Apesar da ofensiva, Guerrero conseguiu escapar e permaneceu foragido desde então.
Na época, especialistas alertaram que a retomada do presídio não significava necessariamente o enfraquecimento da estrutura da organização criminosa.
Acusações e processos nos Estados Unidos
Em dezembro de 2025, Guerrero passou a responder a acusações em um tribunal federal de Manhattan, nos Estados Unidos.
Entre os crimes apontados pelas autoridades americanas estavam conspiração para extorsão, terrorismo, tráfico internacional de drogas e delitos relacionados a armas de fogo.
O Departamento de Justiça dos EUA oferecia recompensa de até US$ 5 milhões por informações que levassem à captura do líder do Tren de Aragua.
Segundo as autoridades americanas, Guerrero também figurava como réu em um processo federal que inclui o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, além da primeira-dama Cilia Flores, do ministro do Interior Diosdado Cabello e de um dos filhos do governante venezuelano.