Um dos elementos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a forma como a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada: caída e ainda com a arma firmemente empunhada na mão. Segundo a apuração, essa posição é considerada incomum em casos de suicídio com arma de fogo.
O sargento do Corpo de Bombeiros que atendeu a ocorrência chegou a fotografar a cena antes de iniciar o socorro, após notar sinais que, segundo ele, eram incompatíveis com uma suposta morte autoinfligida. O relato do militar foi incluído no inquérito policial.
De acordo com o depoimento, a arma estava bem encaixada na mão da vítima, enquanto Gisele estava deitada. O sargento afirmou que, em 15 anos de atuação na corporação, foi a primeira vez que se deparou com uma suposta vítima de suicídio ainda segurando a arma dessa forma.
Outro ponto levantado pela investigação é que o cartucho da arma não foi localizado na cena. Segundo os investigadores, esse vestígio poderia ajudar a esclarecer a dinâmica do disparo, como a posição de quem atirou e a trajetória do tiro.
Para o diretor da Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF), Francisco Helmer, embora não seja impossível que uma pessoa tire a própria vida e permaneça com a arma na mão, a situação foge do padrão mais comum. “Quando a pessoa dispara contra si, ela perde a consciência e a musculatura relaxa. O comum é que o braço caia junto com a mão. Não existe um padrão absoluto, mas a arma estar bem encaixada levanta suspeitas”, avaliou.