- Jovem de 24 anos foi morta com tiro na Rodovia Cândido Portinari, em Rifaina, no interior de São Paulo.
- Suspeito, pecuarista de 62 anos, fugiu após atirar contra a vítima, que estava em relacionamento com ele.
- Vítima relatou agressões e ameaças de Bolelli antes do crime, que incluiu discussão por celular.
- Amiga e irmão acompanharam a jovem por medo de ameaças, após ela contar sobre o relacionamento tóxico.
- Celular da vítima foi apreendido para perícia, e Polícia Civil investiga motivação e circunstâncias do crime.
Uma jovem de 24 anos foi morta com um tiro na noite de terça-feira (27), às margens da Rodovia Cândido Portinari (SP-334), em Rifaina, no interior de São Paulo. O suspeito do crime é o pecuarista João Roberto Bolelli, de 62 anos, com quem a vítima mantinha um relacionamento. O caso foi registrado pela Polícia Civil como feminicídio, e o homem fugiu após o disparo.
A vítima foi identificada como Priscila Lacerda Custodio, natural de Perdizes, em Minas Gerais. Segundo o boletim de ocorrência, ela foi a Rifaina para devolver uma caminhonete que estava com ela e pertencia ao suspeito.
O irmão e uma amiga acompanharam Priscila porque, conforme relataram à polícia, a jovem estava apreensiva e havia contado que sofria agressões e ameaças de Bolelli.
De acordo com os depoimentos, a discussão que antecedeu o disparo envolveu um aparelho celular. O irmão da vítima afirmou ainda que o suspeito apontou a arma em sua direção antes de fugir.
Priscila foi socorrida e levada ao hospital de Rifaina, mas não resistiu aos ferimentos. O celular dela foi apreendido para perícia.
A defesa de João Roberto Bolelli informou que analisa o caso e ainda não teve contato com ele.
Jovem relatou agressões e ameaças antes do crime
Em depoimento à polícia, a amiga de Priscila contou que a jovem mantinha um relacionamento esporádico com Bolelli desde julho daquele ano.
Segundo a testemunha, Priscila relatou ter sido agredida pelo pecuarista na sexta-feira (23), quatro dias antes do crime. A amiga afirmou que chegou a ver as lesões apresentadas pela jovem.
Priscila também teria contado que o suspeito ameaçou dar um tiro em sua cabeça e contratou pessoas para monitorá-la. Conforme o relato, Bolelli desconfiava que ela estivesse envolvida com outro homem e dizia que não permitiria que retornasse a Perdizes.
Diante das ameaças, a amiga orientou Priscila a não ir sozinha a Rifaina. Por isso, ela e o irmão decidiram acompanhá-la na devolução da caminhonete.
O irmão contou à polícia que recebeu uma ligação da jovem pedindo companhia para a viagem. Durante a conversa, percebeu que ela estava apreensiva e suspeitou que pudesse estar sendo intimidada ou ameaçada.
Natural de Perdizes (MG), Priscila foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos | Foto: Arquivo pessoal
Discussão por celular antecedeu disparo
Priscila e o irmão saíram de Perdizes na caminhonete que seria devolvida, enquanto a amiga seguiu em outro carro. Como não conhecia o caminho até a propriedade rural, a amiga recebeu a orientação de Priscila, que deixou a caminhonete e entrou no veículo dela. O irmão continuou dirigindo o outro automóvel.
Ao chegarem à entrada da propriedade, João Roberto Bolelli apareceu em um carro branco. Segundo os depoimentos, outras pessoas também chegaram em veículos diferentes, mas não foram identificadas.
O irmão relatou que ouviu Priscila dizer que queria ir embora e não desejava mais manter o relacionamento.
Conforme o boletim de ocorrência, Bolelli exigiu que a jovem devolvesse um celular que havia lhe dado. Priscila respondeu que entregaria o aparelho somente depois de receber de volta o próprio telefone.
A amiga afirmou que o pecuarista também questionou uma viagem da jovem a Sacramento, em Minas Gerais, e a acusou de se encontrar com outro homem.
Durante a discussão, segundo as testemunhas, Bolelli sacou uma arma e atirou contra Priscila. Em seguida, teria apontado a arma para o irmão dela, que correu para se proteger.
O irmão socorreu a jovem e a levou ao hospital, mas ela não resistiu.
Suspeito fugiu após o disparo
Após o tiro, Bolelli deixou o local na caminhonete que Priscila havia ido devolver. A Polícia Militar foi informada de que uma mulher baleada havia dado entrada no hospital e enviou equipes à unidade.
Depois de ouvir as testemunhas, os policiais foram até a propriedade rural do suspeito, mas não o encontraram. O local foi preservado para a realização da perícia.
A Polícia Civil investiga a motivação, a dinâmica do crime e as circunstâncias da fuga. Até a última atualização da reportagem, não havia informação sobre a existência de mandado de prisão contra Bolelli.