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Mulher denuncia o namorado por transmissão intencional de HIV em Rondônia

MP pede prisão preventiva após condenação por violência e contaminação; homem pode ter feito outras vítimas

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  • Dentista de 41 anos foi preso por infectar propositalmente namorada com HIV e deve cumprir pena de 5 anos em Rondônia.
  • Ministério Público pediu prisão preventiva em regime fechado após risco de novas contaminações ser acatado pela Justiça.
  • Vítima relatou sintomas graves e foi infectada após relacionamento de menos de um mês com o dentista, que não tratava o HIV.
  • Homem já responde a outros processos por ter infectado pelo menos quatro mulheres e não aderiu ao tratamento antirretroviral.
  • MP-RO acusou o dentista de ter conhecimento do diagnóstico há 10 anos e ter intenção de transmitir o vírus a outras pessoas.
Dentista é preso por ter infectado então namorada | Foto: Reprodução
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Um dentista de 41 anos foi preso após infectar de forma proposital com vírus HIV a então namorada. Ele foi condenado a pagar uma indenização de R$50 mil e deve ficar detido por cinco anos em Rondônia. 

O homem ainda responde a outros processos em que é acusado de infectar outras vítimas. A vítima que denunciou caso desconfiou de alguém estava errado ao sentir febre, dores intensas e um cansaço sem explicação. 

ENTENDA O CASO 

Um inquérito policial foi instaurado após a vítima receber o diagnóstico e o caso foi denunciado à Justiça. O dentista foi condenado em agosto com uma pena de cinco anos e multa indenizatória. Ele passou a cumprir pena em regime semiaberto após a condenação. 

Nesta semana, o Ministério Público de Rondônia (MP-RO) pediu à Justiça uma nova prisão preventiva em regime fechado alegando o risco iminente de novas contaminações. O pedido foi acatado na quarta-feira (9).

Sobre a violência praticada a vítima diz ser: "Com certeza posso afirmar que foi o momento mais triste e mais difícil da minha vida”. A vítima foi acolhida nas salas do Núcleo de Atendimento às Vítimas (Navit) do MP-RO, o que deu origem à denúncia. O órgão acusou o homem de transmitir intencionalmente o vírus HIV a pelo menos quatro mulheres e afirma que é possível que existam outras vítimas ainda não diagnosticadas.

PRIMEIROS SINAIS DA DOENÇA

A vítima conta que os primeiros sintomas da doença apareceram com menos de um mês de relacionamento após ela conhecer o dentista em um site de relacionamentos. Infecções que não passavam mesmo com uso de antibiótico, dores no corpo, vermelhidão, coceira, dor de cabeça e cansaço atingiram a mulher.

Ela relata que o homem chegou a oferecer a prescrição de antibióticos e orientou para que a vítima não comunicasse a família. Isso fez com que ela buscasse fazer exames e descobrisse que havia sido infectada. 

"O Jean falou que ele poderia me prescrever o antibiótico [por ser dentista], que não precisava contar pra ninguém da minha família que a infecção não havia passado, mas isso me acendeu uma pequena luz", relata a vítima.

NÃO FOI A ÚNICA VÍTIMA

Ao tomar conhecimento sobre o abuso que sofreu, a mulher descobriu que o Ministério Público já investiga o dentista há quatro meses e que ela não era a primeira vítima. 

O homem respondia a uma ação penal envolvendo outras três mulheres. O órgão disparou um alerta para as unidades de saúde e foi assim que ela descobriu o crime: ao buscar atendimento com uma infectologista.

"Ao me perguntarem o nome do meu parceiro, correspondia ao do suspeito; se tratava da mesma pessoa. Eu era mais uma vítima do Jean", relembra.

LUTO 

A vítima conta que a foi infectada de forma criminosa e que o homem se aproveitou do centro da sua vida íntima para praticar os abusos.

"Além de eu estar com uma doença incurável, fui contaminada de forma intencional, ou seja, de forma criminosa, por uma pessoa que havia usufruído de toda intimidade da minha casa e família e que conhecia todas as minhas comorbidades e problemas emocionais", lamenta.

A mulher ainda relata que a violência sofrida também adoeceu aqueles que estão próximos a ela. 

"Quando fui infectada pelo Jean, ele não adoeceu somente a mim, ele adoeceu uma família inteira. Há um luto, ele atingiu todas as pessoas que me amam e estão ao meu lado", complementa.

A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. A hipótese é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava.

NOVA PRISÃO 

A denúncia do MP-RO contra Jean aponta que ele tem conhecimento do próprio diagnóstico há cerca de 10 anos e optou por não aderir ao tratamento antirretroviral. A hipótese é que o homem não quis se tratar justamente para transmitir o vírus às pessoas com quem se relacionava.

O primeiro caso a ser julgado foi o da mulher. Em 24 de agosto, Jean foi condenado a cinco anos de prisão em regime semiaberto e passou a cumprir a pena em uma colônia penal de Porto Velho. No entanto, outros dois processos contra ele ainda tramitam na Justiça. Após a condenação, o MP-RO pediu uma nova prisão preventiva, alegando risco iminente de novas vítimas. Na quarta-feira (9), o acusado voltou a ser preso.

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