- Ministério Público do Trabalho instaurou inquérito para investigar condições de trabalho na fábrica da Bombril após ataque fatal.
- Investigação verifica se empresa e terceirizada cumpriram normas de saúde e segurança, especialmente em gestão de riscos psicossociais.
- Procuradora do Trabalho destacou necessidade de averiguar medidas de prevenção e proteção à saúde mental dos trabalhadores.
- Ataque ocorreu na fábrica da Bombril em São Bernardo do Campo, deixando quatro mortos e levantando dúvidas sobre ambiente de trabalho.
- Policia investiga possível motivação do ataque, incluindo episódios de bullying, enquanto empresa colabora com as investigações.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) instaurou um inquérito para investigar as condições do ambiente de trabalho na fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo (SP), após o ataque que deixou quatro mortos no último sábado (1º). A investigação busca verificar se a empresa e a terceirizada TPC Logística Sudeste S/A cumpriam as normas de saúde e segurança do trabalho, especialmente em relação à gestão de riscos psicossociais, prevenção de conflitos e proteção à saúde mental dos trabalhadores.
Investigação vai analisar medidas de prevenção
Segundo o MPT, as empresas deverão apresentar documentos relacionados ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), inventário de riscos ocupacionais, planos de prevenção e correção, cronograma de implementação das medidas, treinamentos voltados a gestores e lideranças, além de informações sobre canais de denúncia e políticas de combate ao assédio e à discriminação.
Também serão solicitados esclarecimentos sobre possíveis registros de conflitos entre os trabalhadores envolvidos, denúncias internas e providências adotadas antes e depois do ataque.
A procuradora do Trabalho Sofia Vilela de Moraes e Silva, responsável pelo procedimento, afirmou que a investigação pretende verificar se as medidas previstas pelas normas trabalhistas estavam sendo efetivamente adotadas.
"É necessário averiguar as condições do meio ambiente de trabalho, especialmente no que se refere à saúde mental, a fim de assegurar a saúde das pessoas trabalhadoras e preservar o direito fundamental à saúde e à segurança no trabalho."
Norma exige gestão de riscos psicossociais
De acordo com o MPT, a recente atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) passou a exigir que empresas incluam nos programas de gerenciamento de riscos a identificação, avaliação e prevenção de fatores que possam comprometer a saúde mental dos trabalhadores.
Sobre esse ponto, a procuradora destacou:
"As medidas de controle e prevenção dos fatores de riscos psicossociais e de promoção da saúde mental no trabalho devem estar previstas nos programas de saúde e segurança do trabalho."
Relembre o caso
O ataque aconteceu na manhã do último sábado (1º), dentro da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o operador de empilhadeira Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, funcionário terceirizado da TPC Logística Sudeste S/A, entrou na unidade armado com dois canivetes e atacou três colegas de trabalho.
As três vítimas morreram em decorrência dos ferimentos. As investigações apontam que um dos trabalhadores foi morto ao tentar impedir as agressões e defender os outros colegas.
Polícia investiga possível motivação
Conforme a investigação da Polícia Civil, Claudio estava de folga no dia do crime e teria ido à fábrica especificamente para cometer o ataque. Uma das linhas de investigação apura se o autor sofria episódios de bullying no ambiente de trabalho, hipótese levantada por testemunhas, mas que ainda não foi confirmada oficialmente.
Em nota, a Bombril informou que o agressor era funcionário de uma empresa terceirizada e que estaria "em surto" quando invadiu as instalações e atacou os colegas. A empresa afirmou ainda que colabora com as investigações e presta assistência às famílias das vítimas.
Suspeito morreu na delegacia
Após ser detido, Claudio Henrique da Silva foi levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Horas depois, ele tirou a própria vida na carceragem da unidade. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e constatou a morte no local.
Com isso, o caso passou a contabilizar quatro mortos e segue sendo investigado tanto pela Polícia Civil quanto pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que busca identificar se falhas no ambiente de trabalho podem ter contribuído para a ocorrência.