O advogado da família da policial militar Gisele Alves, José Miguel Silva, afirmou que o tenente-coronel Geraldo Neto não conseguiu explicar pontos considerados relevantes sobre as circunstâncias da morte da esposa. Em entrevista exclusiva ao Jornal da Tarde Piauí, da Rádio Jornal (90.3 FM), o advogado comentou detalhes da perícia realizada no local e questionou inconsistências na versão apresentada pelo oficial.
Segundo ele, o tenente-coronel chegou a conceder entrevista a uma emissora para apresentar sua versão dos fatos e negar as acusações, mas, na avaliação da defesa da família, os relatos não se sustentam.
O Tenente-coronel resolveu dar uma entrevista para uma emissora. Deu sua versão e negou os fatos. Porém, a versão dele não se sustenta. Hoje tomou uma postura agressiva, ao acusar a imprensa.
Falta de explicação sobre elementos da perícia
De acordo com José Miguel, o oficial afirmou não se lembrar de detalhes que poderiam esclarecer o caso.
Ele não soube explicar certas coisas. Ele se recorda de certos pontos do evento, mas o que não interessa a ele, ou que pesa contra ele, ele diz que não se recorda. Não se recorda como o único cartucho desaparece do local do crime, e esse cartucho poderia trazer mais luz para os fatos.
Depoimentos de socorristas levantam questionamentos
No inquérito conduzido pela Polícia Civil, depoimentos de socorristas que atenderam a ocorrência também levantam dúvidas sobre a versão apresentada pelo marido da vítima.
Segundo o relato do tenente-coronel, ele estava tomando banho quando ouviu o disparo. No entanto, bombeiros que chegaram ao local afirmaram que ele estava seco e que não havia sinais de água no chão do apartamento.
O oficial declarou que entrou no banheiro por volta das 7h e, cerca de um minuto depois, ouviu um barulho que interpretou como uma porta batendo. Ao sair, afirmou ter encontrado Gisele caída na sala.
Um sargento do Corpo de Bombeiros Militar, com 15 anos de experiência, relatou que encontrou o oficial de bermuda, sem camisa e completamente seco.
Divergências sobre horário do disparo
O advogado também citou divergências relacionadas ao horário em que o disparo teria ocorrido. Segundo ele, uma testemunha afirmou ter ouvido o barulho em determinado horário, o que coincide com o relato dos socorristas. Na avaliação da defesa da família, essa convergência não foi devidamente esclarecida pelo tenente-coronel.
Ele também diz que a testemunha se equivocou com horário em que ela escutou o disparo, porém esse horário bate com a versão dos socorristas, ou seja, a versão dos socorristas está em harmonia com o horário que a testemunha disse, e isso ele não responde.
Socorrista diz que desconfiou da forma em que arma estava encaixada na mão de PM encontrada baleada - Foto: Reprodução
Questionamento sobre posição da arma
Outro ponto levantado pelo advogado diz respeito à forma como a arma foi encontrada no local. De acordo com ele, a fotografia que registra a posição da arma não foi feita pela perícia, mas por um socorrista.
Essa foto não foi tirada pela perícia, e sim pelo socorrista. A arma está encaixada nas mãos dela. Anatomicamente, a mulher tem a mão menor que a de um homem, se ela tivesse atentado contra sua vida, esta arma com certeza não estaria encaixada na mão.
José Miguel também questionou o fato de ainda não ter sido decretada prisão preventiva no caso.
O processo ontem foi decretado em segredo de justiça, temos acesso limitado em função de medidas cautelares. É estranho ainda não ter sido decretada uma prisão preventiva, porque embora seja uma exceção da regra, no próprio inquérito há elementos para essa medida. A gente segue aguardando ansiosamente essa medida.
O que dizem as defesas
Em nota divulgada antes da divulgação do laudo após a exumação do corpo, a defesa do tenente-coronel Geraldo Neto afirmou que ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo até o momento.
Segundo os advogados, o oficial tem colaborado com as autoridades desde o início e permanece à disposição para ajudar na elucidação dos fatos.
A defesa do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan informou que ele foi chamado ao apartamento como amigo do tenente-coronel e que eventuais esclarecimentos serão prestados à polícia.
O caso, inicialmente registrado como suicídio, segue sob investigação da olícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar.