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Médium é acusada de usar informações da internet em cartas psicografadas

Famílias que procuraram Máira Rocha afirmam ter identificado dados disponíveis na web em supostas mensagens de pessoas mortas

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  • Famílias acusam médium de usar dados da internet e informações prévias para criar cartas psicografadas.
  • Marina afirma ter recebido carta com detalhes sobre marido morto, já publicados na internet e compartilhados com a médium.
  • Carta de Henrique, morto em acidente, mencionou pessoas que não estavam relacionadas, baseadas em imagem publicada por mãe.
  • Especialistas alertam sobre possibilidade de cruzamento de dados para formar dossiê sobre mortos e familiares.
  • Lideranças espíritas registraram notícia-crime contra médium por estelionato e charlatanismo.
Conhecida como médium em Brasília, Máira também trabalha no Ministério da Saúde. | Foto: REPRODUÇÃO
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Famílias que buscaram cartas psicografadas com a médium Máira Rocha acusam a advogada de utilizar informações disponíveis na internet e dados fornecidos previamente para produzir supostas mensagens de pessoas mortas. 

Conhecida como médium em Brasília, Máira também trabalha no Ministério da Saúde. No início deste ano, ela criou a Casa da Caridade Inácio Daniel, instituição que, segundo a reportagem, atende cerca de 5 mil pessoas por mês com doações destinadas a ações sociais. O local também realiza cartas psicografadas, chamadas de cartas consoladoras.

Família encontrou informações publicadas na internet

Um dos casos apresentados e analisado  foi o de Marina Escames, que procurou Máira após a morte do marido, Thiago, vítima de leucemia.

Marina afirma ter recebido uma carta com informações que já haviam sido publicadas na internet, entre elas uma expressão utilizada pelo marido, uma tatuagem de âncora com o nome dele e detalhes sobre o consumo de chá de camomila durante o período de hospitalização.

O filho de Marina, Nicolas, também encontrou semelhanças entre as informações da carta e o perfil do pai. Segundo ela, o texto ainda mencionava um episódio de bullying sofrido pelo filho mais novo, Matteo. A família, porém, afirma que o menino havia contado o episódio à própria médium ao entregar uma carta pessoal antes da sessão.

Outro caso envolveu jovem morto em acidente

Outra família ouvida  foi a de Marcela Magalhães, cujo filho, Henrique, morreu aos 18 anos em um acidente.

Durante uma transmissão, Máira teria chamado Henrique de jogador de futebol. Marcela descobriu posteriormente que o mesmo erro aparecia em uma reportagem sobre o acidente, que utilizava uma fotografia do jovem vestindo uniforme esportivo.

A carta também teria relacionado Henrique a João e Letícia, embora os três tenham morrido em situações diferentes. A ligação teria sido feita a partir de uma imagem publicada por Marcela durante a pandemia.

Carta também apresentou informações incorretas

Diva Mascarenhas Borges relatou inconsistências em uma carta recebida após a morte do pai.

De acordo com informações apuradas, o texto trazia nomes utilizados em registros de seus irmãos adotivos, informações relacionadas ao inventário da família e até uma data incorreta de aniversário.

Diante das dúvidas, Diva procurou a Federação Espírita do Distrito Federal e afirma ter tomado conhecimento de outras denúncias envolvendo a médium.

Especialistas apontam possibilidade de cruzamento de dados

Especialistas ouvidos levantaram a possibilidade de que informações disponíveis na internet possam ser reunidas para formar um verdadeiro dossiê sobre pessoas mortas e seus familiares.

O pesquisador Pedro Camilo afirmou que nomes, informações fornecidas antes das sessões e períodos longos para preparação poderiam facilitar esse tipo de levantamento.

Marina contou que precisava informar o nome completo e o CPF antes da psicografia. Marcela também apresentou documentos e comprovantes.

O presidente da Federação Espírita Brasileira, Jorge Godinho, comparou o procedimento ao adotado por Chico Xavier e afirmou que, segundo ele, o conhecido médium não tinha acesso prévio às informações das pessoas presentes.

Lideranças espíritas registraram notícia-crime

Ainda segundo a reportagem, sete lideranças espíritas apresentaram uma notícia-crime contra Máira, com acusações de estelionato, charlatanismo e crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Também existem registros policiais contra a médium em pelo menos cinco estados, segundo as informações divulgadas.

 As acusações apresentadas ainda devem ser analisadas pelas autoridades competentes.

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