- Mãe de Bruno, morto em confronto, pede esclarecimento sobre o caso.
- Bruno foi baleado durante discussão de trânsito em Taubaté, São Paulo.
- Testemunha relata versão diferente da apresentada pelo acusado.
- Ministério Público pede prisão preventiva do bombeiro acusado.
- Mãe destaca personalidade alegre e generosa do filho falecido.
A mãe do estudante de medicina Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, falou pela primeira vez após a morte do filho, baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté, no interior de São Paulo. Em entrevista , Soraia Hashimura falou sobre a dor da perda e pediu que o caso seja esclarecido.
“As balas do Bruno estão em mim”, afirmou a mãe durante a entrevista. Ela também disse acreditar na Justiça e esperar que a investigação esclareça o que aconteceu. “Eu acredito na Justiça”, declarou.
O caso aconteceu na manhã de quarta-feira (30), na Avenida do Povo, após uma discussão de trânsito entre Bruno e o bombeiro Marcos Paulo Fujarra de Oliveira.
Segundo a versão apresentada pelo bombeiro à polícia, ele acreditou estar sendo vítima de uma tentativa de assalto e efetuou os disparos depois que Bruno teria avançado contra ele segurando um objeto que teria parecido uma arma.
Uma testemunha, porém, apresentou uma versão diferente à polícia. Segundo o relato, Marcos teria saído do carro, quebrado o vidro do veículo de Bruno e efetuado os disparos sem que o estudante tivesse feito qualquer ameaça.
Bruno foi atingido por quatro tiros, sendo um no pescoço, dois no tórax e um no braço esquerdo. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.
Marcos foi preso em flagrante, mas recebeu liberdade provisória durante a audiência de custódia. O Ministério Público recorreu da decisão e pediu a prisão preventiva do bombeiro. A investigação continua para esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Mãe relembra personalidade do filho
Durante a entrevista, Soraia também falou sobre a personalidade de Bruno e a relação próxima que os dois mantinham. Segundo ela, o filho era alegre, divertido e costumava levar bom humor até para situações difíceis.
“Alegre, divertido, em casa. Não tinha um dia com ele que a gente não desse risada. Sempre tirava sarro de alguma situação, por mais difícil que ela fosse. É um menino de família”, contou.
Bruno cursava medicina e, segundo a mãe, desde jovem já tinha planos para o futuro. Ele chegou a estudar na Argentina, onde a família encontrou uma alternativa que cabia no orçamento. Depois, foi para o Pará com a família da esposa, que estava grávida, até surgir a oportunidade de continuar os estudos em Taubaté.
“Eu vou fazer a prova só para ver o nível”
Segundo Soraia, Bruno descobriu uma vaga para estudar em Taubaté e decidiu participar da seleção mesmo sem acreditar que seria aprovado.
“Ele falou: ‘Mãe, tem uma vaga só, mas tem 15 candidatos. Eu vou fazer a prova só para ver o nível, mas daí eu me preparo para no final do ano tentar de novo e vir fixo. Tudo bem eu voltar a morar com a senhora?’”, relatou.
A mãe concordou com a ideia e ficou surpresa quando o filho conseguiu a aprovação.
“Eu falei assim: ‘Se estiver tudo bem com a família da Lorena, está tudo bem em casa também’. E aí, para minha surpresa, ele passou.”
Relação entre mãe e filho ficou ainda mais próxima
Soraia também contou que Bruno se tornou uma importante fonte de apoio durante a separação dela. Segundo a mãe, o filho deixou de ser apenas um filho e passou a exercer também um papel de amigo.
“Quando eu me separei, ele foi um adulto ao meu lado. Ele me deu estrutura. Não foi só um filho, ele foi um amigo que me impulsionou também a viver”, afirmou.
Para Soraia, Bruno aprendeu desde cedo que demonstrar cuidado também era uma maneira de demonstrar amor pelas pessoas.
Carro usado por Bruno havia sido presente do avô
O carro que Bruno dirigia no dia em que foi morto havia sido dado a ele pelo avô materno, pai de Soraia. Segundo ela, o familiar decidiu entregar o veículo ao neto porque considerava perigoso o automóvel antigo que ele utilizava para fazer viagens pela Rodovia Presidente Dutra.
“Quando meu pai viu que ele vinha com o carrinho velho na Dutra, meu pai falou: ‘Eu quero deixar esse carro para o Bruno’”, contou.
Inicialmente, Soraia tentou recusar o presente, mas o pai insistiu.
“Eu falei: ‘Não, pai, de jeito nenhum’. Ele falou: ‘Não, eu vou deixar para o Bruno, porque o carro dele não está seguro, é um carro velho, perigoso. Ele pega essa Dutra todos os dias’.”
Segundo a mãe, Bruno vendeu o veículo antigo e fez questão de entregar o dinheiro ao avô como forma de pagamento.
“Meu filho colocou o carro dele à venda e fez questão de pagar o avô com o dinheirinho daquele carro, que nem era metade do valor do carro que ele tem hoje. Tão nobre é o meu filho”, afirmou.
Homenagens reforçaram lembranças sobre Bruno
Ainda tentando lidar com a perda, Soraia contou que o velório reuniu familiares, amigos e colegas de diferentes fases da vida do estudante.
Segundo ela, as mensagens recebidas durante as despedidas reforçaram a imagem que tinha do filho.
“Ontem eu tive o dobro de certeza. Cada abraço, cada palavra que eu recebi: ‘Tia, seu filho é muito generoso’, ‘Tia, seu filho era a alegria da nossa turma’, ‘Tia, seu filho ajudava todo mundo’.”
A mãe contou que recebeu no velório alunos de outros anos, colegas da turma atual, amigos de quando Bruno morava com ela e pessoas que o conheciam desde a infância.
Para Soraia, os relatos dos amigos ajudaram a confirmar as características que ela sempre enxergou no filho: um jovem alegre, generoso e disposto a ajudar as pessoas ao redor.