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Golpistas tomam controle de empresas de donos legítimos e abrem contas em bancos

Golpes digitais estão fazendo empresários perderem o controle de suas empresas. Entenda o risco da fraude societária e saiba como se proteger

Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) | Foto: Divulgação
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Casos de empresários que perdem o controle de suas próprias empresas após fraudes digitais têm se tornado cada vez mais frequentes no país. Em uma das situações, dois irmãos que mantinham uma oficina mecânica há mais de três décadas na cidade de São Paulo descobriram que já não eram mais os proprietários legais do negócio ao tentarem acessar dados no sistema da Receita Federal do Brasil. O quadro societário havia sido alterado sem autorização, transferindo a empresa para o nome de uma terceira pessoa.

Além de assumir o controle formal do empreendimento, os criminosos ainda abriram contas bancárias utilizando os dados da empresa e chegaram a apresentar o imóvel como garantia para operações financeiras, o que poderia resultar até na venda do patrimônio das vítimas. A Justiça reconheceu inicialmente indícios de fraude e concedeu decisão liminar permitindo que os verdadeiros donos continuassem administrando o local, mas a situação jurídica ainda não foi totalmente resolvida, gerando insegurança e prejuízos.

Especialistas apontam que brechas em sistemas digitais e falhas na conferência de documentos facilitam esse tipo de golpe. Segundo o advogado Clóvis Ferreira de Araújo, a possibilidade de realizar alterações empresariais pela internet, muitas vezes sem validação rigorosa da autenticidade dos documentos, abre espaço para a atuação de hackers. Ele destaca que invasões podem resultar em mudanças no quadro societário, no capital social e até na obtenção de crédito em nome das vítimas, com participação indireta de registros aceitos por órgãos oficiais.

registros seguem normas federais 

A Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp) informou, em nota, que os registros seguem normas federais e que a análise realizada é formal, baseada na documentação apresentada. O órgão também explicou que alterações contratuais podem ser protocoladas por terceiros, sem a presença física dos sócios. Já a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) confirmou ter recebido reclamações semelhantes e buscado esclarecimentos sobre medidas de segurança.

Para evitar esse tipo de fraude, especialistas recomendam que empresários utilizem mecanismos de proteção disponíveis em plataformas oficiais, como o bloqueio preventivo de CPF e CNPJ por meio do portal Gov.br, que impede alterações sem autorização prévia. Enquanto isso, vítimas continuam enfrentando consequências financeiras e emocionais, após anos de trabalho colocados em risco por crimes digitais cada vez mais sofisticados.

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