- Verônica Costa foi presa em Petrópolis após cumprimento de pena de 10 anos e 8 meses por tortura do ex-marido.
- Prisão foi determinada após decisão judicial final que não permitiu mais recursos contra a condenação.
- Outras três pessoas foram presas na operação, enquanto uma pessoa continua foragida.
- Verônica negou as agressões e alegou que o ex-marido a ameaçava e fazia uso de drogas.
- Defesa alega que condenação baseia-se em versão da vítima sem base probatória e busca reverter decisão.
A empresária e ex-vereadora do Rio de Janeiro Veronica Costa (PL), conhecida como “Mãe Loira do Funk”, foi presa na noite desta quinta-feira (24), em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, após a Justiça determinar o cumprimento de uma pena de 10 anos e 8 meses de prisão por tortura do ex-marido, Márcio Costa. Ela foi localizada por agentes da Polícia Civil do Rio de Janeiro (PC-RJ) no Vale das Videiras, em Araras, depois de não ser encontrada em sua residência na Barra da Tijuca durante uma tentativa de prisão realizada na quarta-feira (23).
Prisão foi determinada após fim dos recursos
A ordem de prisão foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal, após o processo chegar ao trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso.
Na quarta-feira (23), policiais foram até a casa de Veronica, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, para cumprir o mandado. Como ela não estava no local, passou a ser considerada foragida pela Justiça.
Na operação realizada nesta quinta, além da ex-vereadora, outras três pessoas foram presas. Uma quinta pessoa procurada por envolvimento no caso continua foragida.
Pena foi aumentada em 2023
Veronica havia sido condenada em primeira instância, em 2019, a 5 anos e 10 meses de prisão. Após recurso apresentado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) aumentou a pena, em 2023, para 10 anos e 8 meses.
Os desembargadores determinaram que a pena fosse cumprida inicialmente em regime fechado e mantiveram a decisão que determinou a perda do mandato de vereadora.
Na mesma decisão, as penas de quatro familiares de Veronica que também respondem pelo caso foram elevadas ou mantidas.
Bruno Chaves Ribeiro, irmão da ex-vereadora, foi condenado a 10 anos e 8 meses. Já Tatiane Chaves Ribeiro, irmã de Veronica; Bruno Marcelo Bahia Marques, marido de Tatiane; e Sebastião de Oliveira Evangelista, padrasto da empresária, receberam penas de 10 anos de prisão cada.
As defesas recorreram das condenações, mas os recursos foram rejeitados pelos desembargadores.
Caso veio à tona em 2011
O caso começou em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa denunciou as agressões à Polícia Civil. Segundo o depoimento prestado na época, ele teria sido amarrado e amordaçado na cama do próprio quarto, onde teria permanecido durante cerca de 20 horas.
Ainda de acordo com o relato do ex-marido, parentes de Veronica teriam participado das agressões. Ele afirmou que spray inseticida foi jogado em seu rosto e gasolina derramada em seu corpo, além de ter sido ameaçado de ser queimado vivo.
A primeira condenação de Veronica ocorreu em 2019.
Veronica negou as agressões
Na época da denúncia, Veronica negou ter torturado o então marido. Ela afirmou que Márcio fazia uso de drogas e que a ameaçava havia anos.
Em depoimento à polícia, a empresária declarou:
“Ele chegou na minha casa muito nervoso, gritando, muito machucado, querendo me agredir como sempre.”
Veronica também registrou uma ocorrência contra o ex-marido por furto. Segundo ela, mesmo machucado, Márcio teria levado computadores, máquinas fotográficas, filmadoras e dinheiro.
Defesa contestou condenação
Após o aumento da pena, em 2023, a defesa de Veronica afirmou que a condenação estaria baseada no relato do ex-marido e anunciou que buscaria reverter a decisão por meio de novos recursos.
“A condenação, baseada em versão da suposta vítima sem base probatória, certamente será revertida em novos recursos ante sua fragilidade. A versão acolhida pela Justiça neste momento se assenta em dúvidas e não certezas, em palavra da vítima, que fugiu do processo se negando a apresentar material genético para confrontar prova técnica favorável à defesa, vítima esta aliás que ameaçou Veronica de morte antes dos fatos”.
Já o advogado Leandro Bessa, que representa Márcio Costa, afirmou que a prisão representa o cumprimento da decisão judicial e classificou o crime como grave.
“Na realidade, o crime cometido contra o meu cliente foi bárbaro. Ele sofreu tortura, não só pela Verônica”.
A ex-vereadora deverá cumprir a pena inicialmente em regime fechado, conforme determinação da Justiça do Rio de Janeiro.