Duas crianças, de 9 e 11 anos, morreram durante um incêndio em um apartamento no Residencial Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, Zona Oeste do Recife (PE). As vítimas estavam no mesmo quarto, no segundo andar do bloco, quando as chamas começaram na madrugada desta quinta-feira (19). Na tentativa de escapar, os irmãos foram até a janela, mas acabaram morrendo presos à grade de proteção do cômodo.
Além das duas crianças, três adultos também estavam no apartamento e ficaram feridos. Segundo relatos de moradores, o incêndio teve início por volta das 3h30 da madrugada. Construído em 1983, o Ignêz Andreazza é considerado o maior conjunto habitacional da América Latina.
Vítimas
De acordo com o Corpo de Bombeiros, os feridos são dois homens, de 78 e 39 anos, e uma mulher de 44 anos. Eles foram encaminhados ao Hospital da Restauração, no bairro do Derby, área central do Recife. Os nomes não foram divulgados.
A unidade de saúde informou que os três deram entrada nas emergências e seguem em atendimento, sem atualização oficial sobre o estado de saúde até a última atualização desta reportagem. No local do incêndio, bombeiros relataram que as vítimas não apresentavam ferimentos visíveis, mas haviam inalado grande quantidade de fumaça.
Imagens registradas no local mostram a gravidade do incêndio e os momentos após a tragédia. Em uma das cenas, as crianças aparecem já sem vida, sentadas na grade da janela após tentarem escapar das chamas. Outras imagens mostram ainda focos de fogo no apartamento.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio teria começado próximo à porta do quarto onde os irmãos estavam. Na manhã desta quinta-feira (19), a janela onde as crianças foram encontradas foi coberta com um pano branco. A parede externa do imóvel apresentava marcas escuras provocadas pelo fogo.
Cinco equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para a ocorrência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado às 3h58 e atendeu cinco pessoas no local, incluindo as duas crianças que não resistiram.
Investigação
O apartamento possuía grande quantidade de equipamentos eletrônicos, o que pode ter contribuído para a propagação do fogo. O perito criminal André Amaral destacou a quantidade de materiais acumulados no imóvel.
“O local é totalmente irregular, cheio de entulho, com risco iminente de incêndio. A situação em que estava é difícil entender como não aconteceu antes. Sem a atuação do Corpo de Bombeiros, o prédio poderia ter sofrido um colapso”, disse.
Segundo o tenente-coronel Paulo Roberto, as equipes conseguiram conter o avanço das chamas, evitando uma tragédia ainda maior.
“O fogo poderia ter se espalhado para outros cômodos, o que agravaria ainda mais a situação. Quando as equipes chegaram, as crianças já estavam no quarto, sem possibilidade de saída”, relatou.
Perícia
Equipes da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística estiveram no local para realizar os primeiros levantamentos. A perícia identificou ainda rachaduras graves no apartamento do terceiro andar, acima do imóvel atingido pelo fogo.
Por medida de segurança, os dois apartamentos foram interditados pela Defesa Civil.
Devido à grande quantidade de materiais no interior do imóvel, a causa exata do incêndio ainda não foi identificada. No entanto, os primeiros indícios apontam que o foco das chamas teria começado próximo à porta do quarto onde as duas crianças estavam.