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Lucas Padula

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VÍDEO: Quase dois anos do acidente que matou 62 pessoas, últimos dois ATRs da Voepass deixam o Brasil

Aeronaves estavam em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, e seguiram para o México, onde devem ser devolvidas ao arrendador

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  • Dois aviões ATR 72 da Voepass deixaram o Brasil na manhã de segunda-feira (22), encerrando a presença das últimas aeronaves da empresa no país.
  • As aeronaves, com matrículas PP-PTO e PP-PTQ, decolaram do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto, rumo ao México com escala em Cuiabá.
  • Os aviões, que operaram por empresas como TRIP e Azul, foram incorporados à Voepass em 2019 e armazenados desde março de 2025.
  • O acidente do voo 2283, em 2024, que matou 62 pessoas, ainda não teve relatório final divulgado, com investigações em andamento sobre o incidente.
  • A suspensão das operações da Voepass pela Anac em 2025 marcou o início da desmobilização da frota, culminando na saída dos dois ATR 72.
As aeronaves deixaram o Brasil, rumo ao México nesta segunda-feira (22). | Foto: Reprodução/@aeronave_brazil

Os dois últimos aviões ATR 72 ainda com a pintura da Voepass deixaram o Brasil na manhã de segunda-feira (22), encerrando a permanência, em solo nacional, das últimas aeronaves da antiga frota da companhia que ainda estavam em condições de voo.

As aeronaves, de matrículas PP-PTO e PP-PTQ, decolaram do Aeroporto Leite Lopes, em Ribeirão Preto (SP), cidade que concentrava a principal base da empresa. O primeiro avião deixou o terminal por volta das 9h20 e o segundo decolou às 11h14. O destino inicial dos dois ATR 72-500 foi Cuiabá (MT), onde fizeram uma escala técnica, antes de seguir viagem rumo ao México. O trajeto ainda previa uma nova parada na Colômbia antes da chegada ao destino final.

ATR 72 de prefixo PP-PTQ. Foto: Reprodução

A saída dos aviões representa a retirada dos últimos ATR aeronavegáveis ligados à Voepass que ainda permaneciam no Brasil. Até então, os dois turboélices estavam estacionados em Ribeirão Preto e eram os últimos exemplares remanescentes da frota da companhia ainda identificados com a pintura da empresa. Com a decolagem do PP-PTO e do PP-PTQ, não restam mais aeronaves operacionais com a identidade visual da Voepass no país.

Os dois aviões são do modelo ATR 72-500 e têm trajetória semelhante dentro da aviação comercial brasileira. Ambos chegaram ao país entre 2008 e 2009, operaram inicialmente pela TRIP Linhas Aéreas, passaram depois pela Azul e, anos mais tarde, foram incorporados à frota da então Passaredo, que posteriormente adotou a marca Voepass. As duas aeronaves passaram a voar pela companhia em 2019.

ATR 72 de prefixo PP-PTO. Foto: Antônio Carlos Carvalho Jr.

Além das matrículas, os aviões também carregavam nomes próprios dentro da frota da empresa. O PP-PTO era batizado de “Araponga” e o PP-PTQ, de “Quero-Quero”. Após a suspensão das operações da companhia, os dois foram armazenados em Ribeirão Preto e permaneceram no aeroporto desde março de 2025, até a saída definitiva nesta semana. O PP-PTO foi armazenado em 10 de março de 2025 e o PP-PTQ no dia 11 de março de 2025.

A retirada das aeronaves acontece mais de um ano após o acidente com o voo 2283, em Vinhedo, e após a suspensão cautelar das operações da Voepass pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em março de 2025. Desde então, a frota vinha sendo desmobilizada gradualmente. A partida dos dois ATR 72 marca a etapa final desse processo, com a saída física das últimas aeronaves da empresa ainda presentes no Brasil. VEJA A DECOLAGEM DAS AERONAVES:

ACIDENTE FATAL E INVESTIGAÇÕES

Quase dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, em Vinhedo, no interior de São Paulo, as investigações sobre o acidente que matou 62 pessoas ainda não foram oficialmente concluídas. A tragédia aconteceu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), caiu pouco antes de pousar, matando os 58 passageiros e quatro tripulantes a bordo.

O relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que a aeronave perdeu sustentação e entrou em uma condição anormal de voo, descrita como “parafuso chato”, antes da colisão. O documento também mostrou que houve alerta de stall na cabine nos instantes finais e que o sistema de degelo da aeronave foi acionado durante o voo, o que colocou a formação de gelo entre os pontos analisados pelos investigadores. Não houve declaração de emergência por parte da tripulação antes da queda. A TV MEIO NORTE CONTOU EM DETALHES OS DETALHES SOBRE A QUEDA DO AVIÃO, RELEMBRE: 

As apurações continuam e a expectativa é de que o relatório final traga uma recomendação de segurança envolvendo aeronaves do fabricante ATR. Entre as medidas estudadas está a substituição de uma peça ligada ao sistema de degelo, item que passou a ser tratado como um dos focos centrais da investigação. A conclusão definitiva, no entanto, ainda não foi divulgada oficialmente pelo Cenipa.

Paralelamente à investigação técnica, o acidente teve reflexos diretos sobre a companhia. A Voepass teve as operações suspensas pela Anac em março de 2025 e, posteriormente, perdeu o certificado para operar voos comerciais no país. Enquanto o relatório final não é publicado, familiares das vítimas seguem cobrando respostas sobre as causas da tragédia e eventuais responsabilidades pelo desastre.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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