A Polícia Civil de São Paulo divulgou novas informações sobre a operação “Apertem os Cintos”, voltada ao desmantelamento de uma organização criminosa suspeita de atuar na exploração sexual de crianças e adolescentes. A ação é coordenada pela 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP).
Nesta operação, um piloto foi preso no Aeroporto de Congonhas. O homem, que foi identificado como Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, é considerado líder da organização. Segundo a delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), o preso costumava levar as menores para moteis usando identidades de pessoas adultas e chegava a fazer pagamentos para ter imagens e vídeos das vítimas.
“Ele as levava para motel, com RG de maiores de idade. Uma delas, quando ele começou a abusar, tinha oito anos de idade, hoje ela está com 12 anos. A outra está com 18 anos agora, essa da avó. São três irmãs com a avó. A outra mulher que foi presa, é mãe de uma outra vítima, mas conivente, pois ela sabia e permitia e auxiliava, mandando imagens e fazendo filmagens. E quando ele tinha contato físico com as vítimas, ele as abusava. Uma delas está machucada pois ele bateu nela na semana passada dentro do motel”, disse Aleixo.
Segundo as investigações, ao menos 10 vítimas foram identificadas, mas o número pode ser ainda maior, pois foram encontradas imagens das pessoas no celular do piloto. A polícia quer agora descobrir, para onde ele compartilhava as imagens e quem são as vítimas que estão fora de São Paulo.
“Ele [piloto] e a avó estão em prisão temporária. A nossa surpresa foi a outra vítima. Descobrimos na casa desta mãe que ela também sabia o que estava acontecendo. A mãe está sendo presa em flagrante por armazenar e transmitir esse material”, revelou a delegada Ivalda Aleixo, chefe do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa).
COMO ERA FEITO O CONTATO?
Segundo a delegada Ivalda Aleixo, o piloto costumava mandar mensagens para as mulheres, como se estivesse um interesse amoroso e logo ele perguntava se essas mulheres tinham filhas.
“Ele fazia diversos tipos de abordagens, nas redes sociais, principalmente do WhatsApp. Ele conversava com as mães, os responsáveis, avós e ele ia convencendo. Ele mandava mensagens e perguntava se elas tinham filhas e até para se relacionar com outra mulher [apesar de ser casado], ele que gostava de criança. Ele falava e pagava”, completou a Dra. Ivalda.
Ainda segundo os detalhes divulgados em coletiva, após esse contato, ele fazia o pagamento em dinheiro para as responsáveis e em alguns casos chegava a pagar até remédios, pagar aluguel e até de comprar uma televisão.
ENTENDA A OPERAÇÃO
A operação “Apertem os Cintos” é fruto de uma investigação iniciada em outubro de 2025, que apura uma série de crimes graves, entre eles estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, exploração sexual infantojuvenil, uso de documentos falsos, além da produção, armazenamento e comercialização de material de pornografia infantil. Também são investigadas práticas como aliciamento de menores, perseguição reiterada e coação durante o andamento do processo.
Durante a operação, os agentes cumprem oito mandados de busca e apreensão contra quatro alvos e dois mandados de prisão temporária, autorizados pela Justiça. As diligências acontecem simultaneamente em diferentes pontos da capital paulista — incluindo o Aeroporto de Congonhas — e no município de Guararema, na Grande São Paulo. Ao todo, 32 policiais civis participam da ação, com o apoio de 14 viaturas.
QUEM SÃO OS PRESOS?
Até o momento, duas pessoas foram presas. Um piloto de avião, de 60 anos, foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas. Identificado como Sérgio Antonio Lopes, o piloto é investigado por crimes relacionados à exploração sexual e à pornografia infantil há pelo menos oito anos. De acordo com o DHPP, ele utilizava documentos falsos para se hospedar em motéis com menores de idade e também é suspeito de manter e negociar conteúdos ilegais envolvendo crianças e adolescentes.
Já uma mulher de 55 anos foi presa em Guararema. Segundo a Polícia Civil, ela teria recebido dinheiro para entregar as próprias netas, com idades entre 10, 12 e 14 anos (época dos abusos), ao piloto, que é apontado como um dos principais envolvidos no esquema criminoso.
A Polícia Civil informou ainda que novas prisões não estão descartadas, assim como a identificação de outras vítimas e integrantes do grupo, considerando o padrão de atuação desse tipo de organização e a quantidade de provas já obtidas, especialmente em meios digitais.
Segundo a corporação, a operação busca interromper imediatamente as atividades criminosas, garantir a proteção das vítimas, ampliar a identificação de responsáveis, preservar provas fundamentais e assegurar o avanço da investigação diante da gravidade e da complexidade do caso.
AS INVESTIGAÇÕES
O inquérito policial começou em outubro de 2025. Desde então, já foram identificadas três vítimas, com 11, 12 e 15 anos, todas submetidas a graves situações de abuso e exploração sexual. Segundo a Polícia Civil, a rede criminosa estruturada era voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
São investigados crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes.
As provas colhidas até o momento mostram que os crimes investigados integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.
A Polícia Civil ressalta que a operação tem por finalidade cessar imediatamente a atuação criminosa, resguardar a integridade física e psicológica das vítimas, identificar outros autores e vítimas, preservar provas essenciais e assegurar a efetividade da investigação diante da gravidade dos fatos apurados. E não descarta novas prisões e identificação de novas vítimas do esquema criminoso.
Os mandados foram deferidos pela Justiça em razão da robusta materialidade delitiva, dos fortes indícios de autoria, da gravidade concreta dos delitos, do elevado risco de reiteração criminosa e da possibilidade concreta de ocultação, destruição ou adulteração de provas, especialmente aquelas de natureza digital.