- A Polícia Civil deflagrou a Operação Contrafeixe contra uma rede criminosa de receptação em São Paulo.
- 19 mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra investigados envolvidos no esquema.
- A quadrilha "quebra-vidro" roubava celulares em momentos de congestionamento e os vendia no mercado clandestino.
- Os criminosos também utilizavam dados armazenados para prática de fraudes bancárias.
A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Contrafeixe para desarticular uma rede criminosa de receptação responsável por comercializar celulares roubados e furtados pela quadrilha conhecida como “quebra-vidro”, que atua na capital paulista. Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão contra investigados envolvidos no esquema.
De acordo com as investigações, os criminosos aproveitavam momentos de congestionamento para quebrar os vidros de veículos e roubar aparelhos celulares dos motoristas e passageiros. Após os crimes, os dispositivos eram encaminhados a uma cadeia de receptadores que revendia os aparelhos no mercado clandestino ou utilizava os dados armazenados para a prática de fraudes bancárias.
Segundo a Polícia Civil, celulares desbloqueados tinham valor mais elevado entre os criminosos, já que permitiam o acesso a aplicativos financeiros e bancários das vítimas, facilitando transferências indevidas e outros golpes eletrônicos. VEJA OS APARELHOS RECUPERADOS:
O delegado Fernando Santiago, responsável pelas investigações, destacou que o combate à receptação é uma das principais estratégias para reduzir os índices de roubos e furtos de celulares.
“Os roubos e furtos de celulares geram um temor social que impacta diretamente a percepção de segurança da população. Por isso, além de analisar os boletins de ocorrência e mapear os locais com maior incidência desses crimes, também concentramos esforços na identificação dos receptadores. Eles são a linha de frente desse mercado clandestino. Se não houver quem compre e revenda os aparelhos, não haverá incentivo para a prática desses delitos”, afirmou.
O nome da operação faz referência à chamada “Batalha dos Feixes”, episódio da Segunda Guerra Mundial em que os aliados interceptaram e decifraram sistemas de comunicação utilizados pelos alemães. A analogia, segundo a polícia, representa o trabalho de inteligência realizado para identificar os integrantes da organização criminosa e rastrear toda a cadeia de receptação dos celulares.
A ação é coordenada pela 2ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes contra o Patrimônio (Disscpat), vinculada ao Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Cerca de 50 policiais civis e 22 viaturas participam da operação.
As diligências continuam ao longo do dia para a coleta de provas, identificação de novos envolvidos e desarticulação completa da estrutura criminosa. Os investigados poderão responder por associação criminosa, roubo, furto, receptação e furto eletrônico.
Além da operação, a Secretaria da Segurança Pública mantém o programa SP Mobile, criado para combater roubos, furtos e a receptação de celulares por meio do rastreamento do IMEI dos aparelhos. A iniciativa cruza informações de boletins de ocorrência com dados das operadoras de telefonia para localizar dispositivos subtraídos que voltaram a ser utilizados. O programa também auxilia na recuperação dos aparelhos e na devolução às vítimas, além de contribuir para a identificação dos autores dos crimes e o enfraquecimento do mercado ilegal de celulares.