A jornalista Sônia Nogueira, de 42 anos, falou com exclusividade com o titular desta coluna, Lucas Padula, e com o jornalista Daiton Meireles, da Rádio Jornal MN, sobre a agressão que sofreu por parte do marido, o major aposentado da Polícia Militar, Ricardo Azevedo da Silva, conhecido como Major Ricardo Silva, de 54 anos. O caso aconteceu na casa onde o casal vivia, na Vila Scarpelli, em Santo André, no Grande ABC, no último sábado (28).
Ricardo foi preso em flagrante pelos crimes de violência doméstica, lesão corporal, injúria, ameaça e desacato. No entanto, acabou sendo liberado no domingo (29), após passar por audiência de custódia. O Tribunal de Justiça entendeu que o suspeito pode responder ao processo em liberdade, desde que cumpra uma série de medidas cautelares.
O que aconteceu?
Em entrevista, Sônia relembrou os momentos da agressão.
“Sábado foi muito difícil. Já havia alguma coisa acontecendo, que eu também não sei exatamente o que desencadeou tamanha insatisfação ou agressividade nas palavras. A minha filha foi uma heroína nesse processo, porque, se não fosse por ela, talvez eu não estivesse aqui para contar o que aconteceu”, disse.
De acordo com o boletim de ocorrência, policiais militares foram acionados para atender a uma denúncia de violência doméstica. No local, encontraram a vítima trancada em um quarto junto com a filha, de um relacionamento anterior.
“Quando aconteceu, ela me socorreu e teve coragem. Foi a heroína. Ele parou as agressões, mas ainda tentou avançar contra ela. A gente, como mãe, vira uma leoa para proteger o filho. Então, pedi para subirmos para o quarto e, nesse momento, ela disse: ‘mamãe, a gente vai ligar para a polícia agora!’”, relatou.
Segundo o registro policial, a mulher apresentava sinais de agressão, incluindo marcas de mordidas no rosto, e relatou que foi atacada pelo companheiro, que também teria tentado estrangulá-la. Ainda conforme a ocorrência, o major apresentava sinais de embriaguez e chegou a ameaçar os policiais durante a abordagem. Ele foi preso em flagrante e levado à delegacia.
“Infelizmente, não só ela [a policial militar feminina que atendeu a ocorrência], mas outros que estavam ali presentes. Houve uma situação desagradável. Achei deselegante, pois são todos colegas de trabalho, da mesma área”, complementou.
Segundo a vítima, o autor havia ingerido bebida alcoólica, mas não em quantidade que justificasse as agressões, já que ele tinha o costume de beber. “Quem usa a desculpa da bebida está mentindo, pois as pessoas sabem, sim, o que falam”, afirmou.
Vítima segue com medidas de proteção
A jornalista contou que já conta com mecanismos de segurança, como o botão do pânico, que pode ser acionado caso o autor se aproxime, além de outras medidas protetivas.
Com a concessão de liberdade provisória ao major, Sônia não esconde a preocupação com a própria segurança.
“A gente fica, sim, preocupada, porque não sabe o que passa na cabeça das pessoas. É algo que realmente preocupa. Hoje mesmo vi na televisão um caso de uma pessoa que saiu em liberdade provisória e voltou para matar. Então, não sei até que ponto isso é seguro para quem passa por essa situação. Nunca pensei que isso iria acontecer comigo”, disse.
VEJA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA EXIBIDA NA RÁDIO JORNAL MN:
Liberdade provisória
Apesar da gravidade das acusações, a Justiça concedeu liberdade provisória ao oficial, impondo restrições para garantir a segurança da vítima.
Entre as medidas determinadas estão:
Proibição de se aproximar da vítima e de familiares
Distância mínima de 100 metros
Proibição de manter qualquer tipo de contato
Afastamento do lar
Comparecimento periódico à Justiça
O descumprimento dessas determinações pode levar à prisão preventiva.
Alerta para outras mulheres
Diante de casos recorrentes de violência doméstica, a vítima deixou um alerta para outras mulheres.
“A gente acredita que não vai acontecer. No meu caso, estamos falando de uma pessoa com conhecimento, cultura e que faz parte de uma corporação séria, como a Polícia Militar. A gente acha que nunca vai chegar a esse ponto, mas chega. Isso mostra que não tem relação com classe social ou escolaridade. Eu acho que a mulher descobre quem é o homem ao lado dela nos momentos de dificuldade. Alguns comportamentos, como descontar a irritação no parceiro, já são sinais de alerta”, afirmou.
Investigação
O caso é investigado pela Polícia Civil e pode resultar em acusações como tentativa de homicídio, violência doméstica, lesão corporal, ameaça e injúria.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo "o caso também é apurado por meio de Inquérito Policial Militar, instaurado pela corporação".
Tentamos contato com a defesa do Major, mas não foi localizado. O espaço segue aberto.