A repercussão de um caso de violência doméstica registrado por câmeras de segurança em Guarulhos, na Grande São Paulo, provocou uma reviravolta judicial. O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou, nesta quinta-feira (19), a prisão preventiva de Ronaldo Ferreira, suspeito de agredir a ex-companheira, Byanca Aparecida dos Santos, de 20 anos, dentro de um elevador no local de trabalho dela.
A nova decisão ocorre apenas dois dias após o investigado ter sido colocado em liberdade durante audiência de custódia, quando foram impostas medidas cautelares — como o afastamento da vítima, proibição de contato e limite mínimo de distância de 300 metros.
Desta vez, no entanto, o desembargador Paulo Sorci, da 2ª Câmara de Direito Criminal, entendeu que as medidas não seriam suficientes para garantir a segurança da vítima. Ao analisar o pedido do Ministério Público de São Paulo, o magistrado apontou risco concreto de reiteração da violência e até de fuga do suspeito, especialmente diante da grande repercussão do caso.
Segundo a decisão, embora a liberdade provisória seja a regra no sistema penal, a gravidade da agressão e o histórico de comportamento violento atribuído ao investigado justificam a prisão preventiva. O tribunal também destacou a necessidade de preservar a integridade física e psicológica da vítima, além de assegurar a aplicação da lei.
As imagens da agressão, registradas por câmeras de segurança, tiveram papel central na mudança de entendimento da Justiça. O vídeo mostra o momento em que a mulher é atacada dentro do elevador, o que gerou forte reação nas redes sociais e pressionou por uma resposta mais rigorosa das autoridades. Nas imagens, é possível ver o momento em que a vítima ultrapassa a catraca de um prédio e entra no elevador na tentativa de fugir do agressor. Ele corre e consegue alcançá-la antes que as portas se fechem. Em seguida, o homem passa a desferir diversos socos contra a mulher.
O vídeo também mostra que a vítima cai no chão durante as agressões, enquanto o suspeito continua os ataques. A violência só é interrompida quando uma outra mulher entra em cena e impede que ele continue ferindo a vítima. Segundo relato, ela é amiga da mulher agredida e afirmou que não permitiria que a violência continuasse. VEJA AS IMAGENS:
O Ministério Público recorreu da decisão inicial que havia concedido liberdade ao suspeito e pediu efeito imediato para restabelecer a prisão — solicitação que foi acatada em caráter liminar. Com isso, a Justiça determinou a expedição de mandado de prisão contra Ronaldo Ferreira.
O caso ainda será analisado pelo colegiado da 2ª Câmara de Direito Criminal do TJSP, que vai decidir se mantém ou não a prisão de forma definitiva.
Nova abordagem
Mais do que um episódio isolado, o caso reacende o debate sobre a eficácia de medidas cautelares em situações de violência doméstica. Especialistas apontam que, em muitos casos, restrições como afastamento e proibição de contato não são suficientes para impedir novas agressões — principalmente quando há histórico de comportamento violento.
A decisão do TJSP sinaliza um endurecimento na avaliação desses casos, priorizando a prevenção de novos episódios e a proteção imediata da vítima, mesmo que isso signifique a adoção de medidas mais severas antes do julgamento definitivo.