A Polícia Civil do Paraná (PCPR) prendeu temporariamente uma mulher, de 23 anos, suspeita de prestar apoio financeiro e logístico a Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, principal investigado pelo desaparecimento das primas Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos. A prisão aconteceu na última sexta-feira (15), em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo.
Segundo as investigações, a jovem seria ex-convivente do suspeito, conhecido pelos apelidos de “Sagaz” e “Dog Dog”. Em Cianorte, Clayton usava o nome falso de “Davi” e frequentava festas e baladas da cidade.
Além do mandado de prisão temporária, policiais civis cumpriram mandados de busca em três endereços ligados à investigada. Um aparelho celular foi apreendido e será periciado para ajudar no avanço das investigações.
O delegado Luís Fernando Alves Silva explicou os motivos da prisão.
“A medida cautelar contra a suspeita, ex-convivente do investigado, foi representada pela PCPR e deferida pelo Poder Judiciário diante de indícios de que ela estaria prestando auxílio ao foragido”, afirmou o delegado.
As investigações apontam ainda que contas bancárias registradas em nome da mulher vinham sendo utilizadas por Clayton durante o período em que ele permaneceu escondido.
Antes mesmo do desaparecimento das jovens, Clayton já era procurado pela Justiça. Segundo a Polícia Civil, havia um mandado de prisão em aberto contra ele pelo crime de roubo cometido em 2023, em Apucarana, no norte do Paraná. A caminhonete utilizada pelo suspeito também era clonada, de acordo com a investigação.
LINHA DO TEMPO
A polícia montou uma linha do tempo para tentar esclarecer os últimos passos das primas antes do desaparecimento.
Na noite do dia 20 de abril, às 22h39, Sttela e Letycia foram vistas deixando Cianorte na caminhonete dirigida por Clayton. A polícia apurou que elas saíram da casa de Letycia e que aquele foi o último momento em que a jovem se conectou à internet, já que não possuía pacote de dados móveis.
Quinze minutos depois, às 22h54, câmeras de segurança registraram o veículo entrando em Jussara, cidade onde Sttela morava com a mãe. A jovem teria ido até a residência apenas para buscar uma mochila. A mãe dela não estava no imóvel naquele momento. VEJA O MOMENTO:
Às 22h55, Sttela publicou uma foto nas redes sociais marcando Letycia. Na imagem, ela aparece segurando uma garrafa de uísque dentro da caminhonete. A legenda dizia: “Qual será o nosso destino KKKK”.
Pouco depois, às 23h13, o trio deixou Jussara e seguiu pela rodovia PR-323 em direção a Maringá.
Já na madrugada do dia 21 de abril, à 00h16, Sttela fez a última publicação nas redes sociais, em um trecho localizado entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparece na imagem, mas apenas Letycia foi marcada na postagem.
Por volta da 1h10, os três foram flagrados por câmeras de segurança entrando em uma boate em Paranavaí. Imagens também mostram as primas dentro da festa horas antes do desaparecimento. VEJA O MOMENTO:
A última conexão de Sttela à internet aconteceu às 3h17 da madrugada, informação obtida pela polícia após quebra emergencial de sigilo do WhatsApp.
Entre os dias 22 e 23 de abril, Clayton retornou sozinho para Cianorte. Segundo a investigação, ele já não estava mais com a caminhonete e deixou novamente a cidade utilizando uma motocicleta e sem celular.
Às 9h do dia 23 de abril foi registrada a última conexão do suspeito à internet. No dia seguinte, a polícia descobriu indícios de que ele teria passado por Maringá.
Em 29 de abril, a Justiça expediu mandado de prisão contra Clayton pelos crimes de roubo e homicídio. Desde então, ele é considerado foragido.
A mãe de Sttela percebeu que havia algo errado ainda no dia 21 de abril, após tentar contato com a filha e não obter resposta. Segundo a polícia, a jovem costumava sempre avisar onde estava e mantinha atividade constante nas redes sociais quando saía de casa.
A principal linha de investigação da PCPR é de duplo homicídio, embora os corpos das jovens ainda não tenham sido localizados.
A Polícia Civil segue realizando diligências para localizar as primas e prender Clayton Antonio da Silva Cruz.
Denúncias sobre o paradeiro do suspeito ou informações sobre as jovens podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 181, 190, 197 ou diretamente em delegacias da região.