Por volta das 3h30 da manhã, fui acordado por uma parente, que me informou que o bairro estava sem energia e, chorando, dizia que o Polo Petroquímico estava a ponto de explodir. Segundo ela, vizinhos estavam na rua relatando o que consideravam ser “o fim do mundo”. Mas, na verdade, não foi um caso isolado, já que moradores de diferentes bairros de Santo André, no ABC Paulista, viveram os mesmos momentos de tensão na madrugada desta terça-feira (17), após uma forte explosão ser ouvida por volta das 3h.
O estrondo, que teria sido percebido a até 10 quilômetros de distância, foi seguido por um apagão que atingiu cidades da região metropolitana de São Paulo.
De acordo com relatos, antes da explosão, uma intensa chama foi vista no flare do Polo Petroquímico de Capuava — estrutura de segurança utilizada para a queima controlada de gases. Muitos moradores afirmaram que não presenciaram um episódio semelhante há décadas, e o barulho chegou a assustar até quem vive na região central da cidade. VEJA RELATOS DE MORADORES:
APAGÃO ATINGIU VÁRIAS CIDADES
A falta de energia ocorreu às 3h11 e durou cerca de 15 minutos, segundo a concessionária Enel. O problema afetou não apenas Santo André, mas também São Bernardo do Campo, Mauá, Ribeirão Pires e bairros da Zona Leste da capital paulista.
Em nota, a empresa informou que a interrupção foi causada por uma falha na subestação Leste, cuja responsabilidade é da ISA Brasil Energia. A companhia de transmissão confirmou a ocorrência em uma unidade localizada no bairro de São Mateus, em São Paulo.
“As ações para restabelecer a carga foram tomadas imediatamente, em conjunto com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a distribuidora local. O fornecimento foi normalizado em cerca de 15 minutos”, informou a empresa, que ainda apura as causas do incidente.
“TOCHA” FOI VISTA EM DIFERENTES PONTOS
A Braskem, responsável pela operação do Polo de Capuava, afirmou que o acionamento do flare ocorreu por volta das 3h20, após a queda no fornecimento externo de energia em toda a região do polo.
Segundo a empresa, o equipamento é um sistema de segurança padrão em refinarias e indústrias químicas ao redor do mundo, utilizado para evitar riscos maiores, como explosões ou liberação de gases tóxicos.
“O flare segue rigorosas normas internacionais de segurança, saúde e proteção ao meio ambiente. A prioridade da empresa é sempre a segurança de seus integrantes, parceiros e da comunidade local”, declarou a Braskem.
CONHEÇA O FLARE A “TOCHA” QUE ASSUSTOU MORADORES
O flare é um dispositivo de segurança presente em refinarias, polos petroquímicos e plataformas de petróleo, responsável por realizar a queima controlada de gases excedentes. Esses gases, muitas vezes, não podem ser armazenados ou reaproveitados de forma imediata, e por isso são direcionados para essa tocha, onde são eliminados com segurança.
O principal objetivo do flare é reduzir riscos operacionais, como explosões, aumento de pressão nos sistemas e vazamentos de substâncias tóxicas. Por isso, ele é considerado um dos mecanismos mais importantes dentro da indústria petroquímica, seguindo normas rigorosas de segurança e proteção ambiental. VEJA O QUE É O FLARE:
Apesar disso, o equipamento costuma chamar a atenção da população, especialmente durante situações fora do padrão, como falhas no fornecimento de energia. Nesses casos, o volume de gases pode aumentar, gerando chamas mais altas, luminosidade intensa e ruídos, o que pode causar susto em moradores próximos.
Mesmo com o impacto visual e sonoro, especialistas reforçam que o flare não representa, por si só, um perigo — ao contrário, indica que os sistemas de segurança estão funcionando para evitar problemas mais graves.
CAUSAS AINDA SÃO INVESTIGADAS
Apesar do susto e da repercussão entre moradores, não há registro de feridos. As empresas envolvidas informaram que as causas do problema ainda estão sendo investigadas.