O homem acusado de matar a ex-namorada dentro de uma joalheria no ABC Paulista recebeu alta médica e será transferido para um Centro de Detenção Provisória nesta terça-feira (3). O crime, que provocou forte comoção na região, ocorreu no dia 25 de fevereiro, dentro da unidade da Vivara no Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo.
Cássio Henrique da Silva Zampieri, de 25 anos, estava internado desde o dia do crime no Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. Ele foi baleado na perna por policiais após apontar um simulacro de arma de fogo contra as equipes que negociavam a rendição. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, após apresentar melhora no quadro clínico, ele recebeu alta na noite de segunda-feira (2).
Assim que deixou o hospital, Cássio foi escoltado pela Polícia Militar até o 2º Distrito Policial de São Bernardo, no bairro Rudge Ramos, onde foi formalizado o cumprimento do mandado de prisão preventiva. Antes de ser levado à carceragem do 3º DP, passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). A transferência para um CDP da região está prevista para esta terça-feira. Veja o momento da transferência que foi registrado pela equipe da TV SBC:
Relembre o caso
A vítima, Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, trabalhava na joalheria quando foi surpreendida pelo ex-namorado. Armado com uma faca e um simulacro de arma de fogo (airsoft), ele rendeu Cibelle e outra funcionária da loja.
Durante a negociação com equipes do Grupo de Operações Especiais (GOE), o agressor atingiu a jovem gravemente no pescoço. Ao apontar o simulacro na direção dos policiais, foi baleado para conter a ameaça. Cibelle não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
O sepultamento ocorreu no dia 26, no Cemitério do Carminha, sob forte clima de comoção, revolta e pedidos de justiça por parte de familiares e amigos.
Histórico de perseguição e ameaças
As investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de São Bernardo revelaram um histórico de violência e perseguição que antecedeu o crime.
O relacionamento entre Cibelle e Cássio durou cerca de cinco anos e terminou em abril de 2025. Desde então, segundo a polícia, ele não aceitava o fim da relação e passou a perseguir a ex-companheira, especialmente após saber que ela estaria se relacionando com outra pessoa.
A jovem já havia registrado boletins de ocorrência por violência doméstica desde 2023 e conseguiu na Justiça uma medida protetiva que determinava que Cássio não se aproximasse dela. Mesmo assim, ele continuou tentando contato.
De acordo com as investigações, quase um ano antes do crime, o acusado enviou fotos íntimas de Cibelle para a loja onde ela trabalhava e passou a fazer ameaças constantes pelas redes sociais. Também utilizava diferentes números de telefone para burlar bloqueios no WhatsApp. A Coluna do Padula teve acesso aos prints com as conversas.
Em uma das mensagens enviadas por volta das 2h da manhã, ele escreveu: “Não sei para que esse negócio de ficar me ignorando. Eu sempre apareço. Ainda mais agora que achei uma forma de ter número infinito para o WhatsApp. Se você me bloquear, em 20 minutos te chamo com outro. Vai ficar bloqueando infinitamente”.
Em outra conversa, após Cibelle afirmar “Eu não quero mais contato com você”, ele respondeu: “Problema teu. Quem decide isso não é só você. E eu já falei”.
Além das mensagens, ele também teria feito ameaças por meio de transferências via PIX.
A jovem relatou a uma amiga episódios de perseguição. “Parece cena de filme de terror, é sério”, escreveu. Em junho de 2025, após perceber a presença do ex-namorado nas proximidades de sua casa, afirmou ter acionado a polícia: “Ainda não chegaram. Se ele tivesse entrado, eu já tinha morrido”.
Testemunhas relataram que, mesmo com a medida protetiva em vigor, o suspeito aparecia com frequência em frente à residência da vítima e na portaria do prédio onde ela morava.
O caso é investigado como feminicídio. A Polícia Civil segue apurando todos os detalhes do crime e o descumprimento da medida protetiva que deveria garantir a segurança da vítima.