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Lucas Padula

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CASO PORSCHE AMARELA: Empresário preso por matar motoboy vai a júri popular

Igor Sauceda é acusado de perseguir e atropelar motociclista após discussão no trânsito; perícia aponta que Porsche estava a mais de 100 km/h no momento do impacto

Empresário Igor Ferreira Sauceda e o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo | | FOTO: Arte/Saymon Lima/Portal MeioNews

O empresário Igor Ferreira Sauceda, de 28 anos, acusado de perseguir e atropelar o motociclista Pedro Kaique Ventura Figueiredo, de 21 anos, em julho de 2024, irá a júri popular. A decisão foi proferida na última quinta-feira (12) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que entendeu haver indícios suficientes para que o caso seja analisado por um tribunal formado por jurados.

A defesa do empresário ainda pode recorrer da decisão. Por esse motivo, a data do julgamento ainda não foi definida e só poderá ser marcada após o esgotamento de todos os recursos previstos no processo.

Sauceda responde por homicídio triplamente qualificado e poderá aguardar o julgamento em liberdade, já que obteve liberdade provisória em maio do ano passado após permanecer cerca de 10 meses preso.

PERSEGUIÇÃO TERMINOU EM MORTE

O crime ocorreu na madrugada de 29 de julho de 2024, na Avenida Interlagos, no bairro Cidade Dutra, zona sul da capital paulista.

De acordo com as investigações, a perseguição começou após uma discussão no trânsito. Testemunhas afirmaram que o motociclista teria quebrado o retrovisor do Porsche amarelo conduzido por Sauceda. A partir daí, segundo a polícia, o empresário teria passado a perseguir a vítima.

Câmeras de segurança registraram o momento em que o carro de luxo atinge a motocicleta lateralmente. O impacto foi violento e arrastou a moto por cerca de 60 metros, até que ambos os veículos colidiram contra um poste. Pedro Kaique chegou a ser socorrido e levado ao Hospital Geral do Grajaú, mas não resistiu aos ferimentos. VEJA AS IMAGENS:

“CAIXA PRETA” DO PORSCHE REVELOU VELOCIDADE

Um dos elementos centrais da investigação foi a análise dos dados eletrônicos do Porsche. Segundo o laudo pericial, a velocidade do veículo no momento da colisão era de 102,375 km/h, mais que o dobro do permitido para a via, cujo limite é de 50 km/h.

A informação foi obtida por meio da leitura da unidade eletrônica PSM (Porsche Stability Management) — um sistema que registra dados do carro, semelhante a uma “caixa preta” automotiva. De acordo com o documento técnico, a velocidade foi registrada no exato momento do impacto, sem margem de erro.

A perícia também concluiu que não havia irregularidades na pavimentação ou nos veículos que pudessem justificar o acidente.

VERSÕES CONTRADITÓRIAS

Durante o interrogatório, Igor Sauceda apresentou versões diferentes sobre o ocorrido, segundo a polícia. No boletim de ocorrência, ele afirmou que o motociclista teria quebrado o retrovisor do Porsche e, posteriormente, mudado de faixa de forma abrupta, o que teria provocado a colisão.

Porém, para os investigadores, as imagens e a dinâmica do acidente indicam outra situação. O delegado responsável pelo caso, Edilzo Correia de Lima, afirmou que as imagens apontam uma perseguição após a discussão de trânsito.

“Tudo indica que ele teve um momento de fúria ao perseguir o motoqueiro após o retrovisor ter sido quebrado”, declarou o delegado à época.

O empresário realizou teste do bafômetro, que deu negativo para consumo de álcool. RELEMBRE:

HISTÓRICOS DE INFRAÇÕES

Na época dos fatos, o MeioNews publicou com exclusividade que Igor Sauceda acumulou mais de 400 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) entre 2019 e 2023, além de 88 multas de trânsito, a maioria por excesso de velocidade.

Há ainda indícios de que sua CNH estaria cassada no momento do acidente, segundo fontes ligadas à investigação. Esse histórico foi citado durante as investigações como um indicativo de conduta reiterada de desrespeito às regras de trânsito.

CONFRONTO COM TESTEMUNHA APÓS ACIDENTE

Logo após o acidente, uma testemunha gravou um vídeo questionando Sauceda sobre o ocorrido. Nas imagens, o homem pergunta ao empresário por que ele teria atropelado o motociclista após a discussão envolvendo o retrovisor. Sauceda responde dizendo que teria sido “fechado” pela moto. Enquanto isso, populares tentavam socorrer Pedro Kaique, que estava gravemente ferido no local.

FAMÍLIA DO EMPRESÁRIO TAMBÉM APARECE EM DENÚNCIAS

Durante as investigações, vieram à tona denúncias envolvendo membros da família Sauceda. Registros policiais apontam que o empresário e familiares teriam se envolvido em conflitos com um ex-sócio, Erinaldo Joaquim dos Santos, conhecido como “Bill”. 

Segundo relatos apresentados à polícia, em 2021 e 2024 houve episódios de ameaças e agressões, incluindo uma briga em frente a um bar e supostas intimidações envolvendo faca. O caso também gerou um processo judicial em que o ex-sócio pede indenização de R$ 1,5 milhão relacionada a uma antiga sociedade empresarial. RELEMBRE O MOMENTO QUE IGOR É AGREDIDO POR FAMILIARES DA VÍTIMA

JÚRI POPULAR 

Com a decisão do Tribunal de Justiça, caberá agora ao tribunal do júri decidir se Igor Sauceda é culpado ou inocente pela morte do motociclista. No júri popular, sete jurados da sociedade civil analisam as provas apresentadas pela acusação e pela defesa e definem o destino do réu. 

Caso seja condenado por homicídio qualificado, a pena pode ultrapassar 20 anos de prisão.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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