- A Justiça de São Paulo iniciou audiência de instrução para apurar morte da policial Gisele Alves Santana.
- O marido da vítima é acusado de feminicídio e fraude processual, com depoimentos de testemunhas de acusação.
- O advogado da família afirma que depoimentos reforçam a tese de feminicídio e descartam a hipótese de suicídio.
- O processo segue com oitiva de testemunhas e interrogatório do réu, com julgamento previsto após a fase de instrução.
- A família reforça pedido de responsabilização e sustenta desde o início que a morte foi um feminicídio.
A Justiça de São Paulo realizou nesta segunda-feira (29) a primeira audiência de instrução do processo que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos. O principal acusado é o marido da vítima, o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, denunciado pelo Ministério Público por feminicídio e fraude processual.
A audiência ocorreu de forma virtual e marcou o início da fase de produção de provas perante a Justiça. Nesta primeira etapa, foram ouvidas apenas duas testemunhas de acusação, entre elas o delegado de polícia responsável pela condução do inquérito.
Após o encerramento da audiência, o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, afirmou que os depoimentos reforçaram os elementos já reunidos durante a investigação.
Segundo ele, o relato do delegado corroborou as provas que embasaram a denúncia apresentada pelo Ministério Público.
"No nosso entendimento, só veio a corroborar com o que consta na denúncia e com as provas dos autos. Entendemos perfeitamente que, embora ainda faltem muitas testemunhas a serem ouvidas, está se comprovando, na fase do contraditório, que realmente estamos diante de um feminicídio e não de um suicídio, tese essa defendida pela família desde o início", afirmou o advogado.
VEJA A FALA DO ADVOGADO:
A morte de Gisele ocorreu em fevereiro deste ano, no apartamento onde o casal morava, na região central da capital paulista. No início das investigações, a hipótese de suicídio chegou a ser considerada. No entanto, a partir da análise de laudos periciais, depoimentos e demais provas técnicas, a Polícia Civil concluiu que havia indícios de feminicídio e de tentativa de alteração da cena do crime, levando ao indiciamento do tenente-coronel.
O processo segue agora com a oitiva das demais testemunhas de acusação e, posteriormente, das testemunhas de defesa. O cronograma prevê que o interrogatório do réu aconteça no próximo dia 3, quando será encerrada a fase de instrução.
Após a conclusão dessa etapa, caberá ao juiz decidir se o tenente-coronel será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Enquanto isso, a família de Gisele afirma continuar acompanhando o processo e reforça o pedido para que o caso tenha um desfecho com responsabilização, sustentando desde o início que a policial foi vítima de feminicídio.
PROCURAMOS A DEFESA DO TENENTE-CORONEL PARA COMENTAR O ASSUNTO, MAS ATÉ O MOMENTO, NÃO TIVEMOS RESPOSTAS