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Lucas Padula

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CASO GISELE: Coronel disse que ficou coagido com a presença da imprensa durante cobertura da prisão; Veja audiência de custódia

Geraldo voltou a dizer que Gisele tirou a própria vida dentro do apartamento

O investigado reforçou que a vítima tirou a própria vida e que se incomodou com a imprensa. | Foto: Reprodução/TJM

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou ter se sentido constrangido e coagido durante sua prisão, realizada na última quarta-feira (18), mesmo dia em que passou por audiência de custódia após ser detido pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos.

A declaração foi feita durante o procedimento conduzido pelo Tribunal de Justiça Militar (TJM), que decidiu manter o oficial preso. A audiência, considerada de rotina, foi registrada em vídeo e ocorreu após ele ser capturado em um apartamento em São José dos Campos, no interior paulista, onde permanecia desde o dia da morte da policial.

Durante o depoimento, Geraldo Neto demonstrou incômodo com a cobertura do caso pela imprensa.

“Eu estava me sentindo constrangido com a quantidade de repórteres na porta da delegacia e da Corregedoria”, afirmou.

Segundo o oficial, apesar do desconforto, o tratamento dado pelos policiais da Corregedoria da PM durante a prisão foi “cordial”. Ele relatou que foi conduzido até a capital paulista, onde prestou depoimento na Corregedoria, passou pelo 8º Distrito Policial, no Brás, e, posteriormente, foi levado ao Hospital da Polícia Militar para realização de exame de corpo de delito, antes de ser encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.

Vestindo uniforme de detento — camisa amarela e calça cáqui —, o tenente-coronel participou da audiência de custódia por videoconferência. Com semblante abatido, afirmou ainda que não conseguiu se alimentar ao longo do dia, alegando falta de apetite.

Mesmo diante das acusações, o oficial manteve a versão apresentada desde o início das investigações: a de que a esposa teria cometido suicídio.

“Minha esposa cometeu suicídio com a minha arma, dentro do meu apartamento no Brás”, declarou.

No entanto, a Polícia Civil contesta essa versão. De acordo com o inquérito, Geraldo Neto é réu por feminicídio duplamente qualificado — por motivo torpe e por dificultar a defesa da vítima — além de fraude processual, sob suspeita de ter manipulado a cena do crime para sustentar sua versão de inocência.

Além do mandado expedido pela Justiça Militar, a Justiça comum também decretou a prisão do oficial, cerca de 28 horas após solicitação do 8º DP, responsável pela investigação. VEJA A AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA:

Dois dias após a prisão, na sexta-feira (20), o tenente-coronel precisou de atendimento médico no presídio após apresentar um quadro de pressão alta. Segundo relatos, ele faz uso de medicação para controle da hipertensão em situações de estresse.

O caso segue em investigação e tem gerado grande repercussão, especialmente pela gravidade das acusações e pelo envolvimento de dois integrantes da Polícia Militar.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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