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CASO BERENICE: Documento revela denúncias de agressão, contradições e trajetória de caminhonete rumo ao RJ

Denúncias anônimas montam um perfil da suspeita e o que poderia ter acontecido com Berenice que segue desaparecida

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  • Empregadora de Berenice Ramos é investigada por desaparecimento e suspeita de envolvimento no crime.
  • Testemunhas contradizem versão da empregadora sobre discussão e desaparecimento da cozinheira.
  • Caminhonete foi flagrada em Paraty (RJ) horas após deixar Berenice, divergindo da versão inicial.
  • Denúncias apontam agressão, ocultação de cadáver e possível envolvimento de terceiro na morte.
  • Investigadores apreenderam DVR do rancho e solicitaram buscas em imóveis ligados à empregadora.
Denúncias podem ajudar a entender o paradeiro de Berenice. | Foto: Reprodução

A Coluna do Padula teve acesso ao inquérito policial que investiga o desaparecimento de Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos. O documento fundamentou o pedido de prisão temporária da empregadora da vítima, além de mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos telefônicos e telemáticos e outras medidas investigativas.

Segundo o inquérito, Berenice desapareceu após deixar o local onde trabalhava e morava, no Rancho do Cedro, na região do Sertão do Ubatumirim, em Ubatuba. A última pessoa a ter contato com ela, conforme a investigação, foi a empregadora, Eliane Alves dos Santos, de 46 anos, que afirmou ter dado uma carona à cozinheira no dia 30 de junho. A versão apresentada é de que Berenice teria sido deixada no trevo de acesso ao bairro do Ubatumirim após desistir de seguir para outro endereço onde iniciaria um novo trabalho. Entenda cada passo das investigações:

Discussão por verbas trabalhistas

Durante o depoimento, a empregadora declarou que Berenice havia pedido demissão e reivindicava cerca de R$ 5 mil em verbas trabalhistas. Ela afirmou ter pago R$ 2,6 mil em dinheiro no mesmo dia do desaparecimento, mas informou não possuir comprovante da transação. Também negou qualquer discussão entre as duas antes da saída da funcionária.

No entanto, a versão passou a ser contestada ao longo das investigações.

Eliane segue presa, suspeita do crime. Foto: Reprodução

Filho e testemunha contradizem versão

O filho da cozinheira relatou à Polícia Civil que funcionários do rancho disseram ter presenciado uma discussão entre Berenice e a empregadora justamente por questões trabalhistas. Além disso, afirmou que a mãe deixou de responder mensagens e apresentar qualquer atividade em seus aplicativos por volta das 16h daquele dia.

Outra testemunha, localizada posteriormente pelos investigadores, declarou ter ouvido vozes alteradas vindas do imóvel onde Berenice morava. Segundo o depoimento, foi possível escutar frases semelhantes a "sai da minha casa". Ao se aproximar do local, a testemunha encontrou Berenice arrumando malas e a empregadora na porta da residência. Ela afirmou ainda ter percebido um machucado avermelhado no rosto da investigada, o que confronta diretamente a versão de que não houve qualquer desentendimento.

Câmeras e rota da caminhonete levantam suspeitas

Outro ponto destacado no inquérito é a análise do trajeto da caminhonete utilizada para transportar Berenice.

De acordo com registros de sistemas de monitoramento, o veículo foi flagrado seguindo no sentido do Estado do Rio de Janeiro às 16h39, passando pela região de Camburi, em Ubatuba. Cerca de 30 minutos depois, foi identificado já em Paraty (RJ), o que, segundo a Polícia Civil, diverge da versão apresentada pela empregadora, que afirmou ter seguido em direção ao Centro de Ubatuba após deixar a cozinheira no trevo do bairro.

Imagem da caminhonete passando pela rodovia. Foto: Reprodução: Polícia Civil 

A investigação também aponta que, dias depois do desaparecimento e após prestar depoimento, a caminhonete deixou a região litorânea e passou a circular por cidades do Vale do Paraíba, sem retornar a Ubatuba, circunstância considerada relevante pelos investigadores.

Denúncias apontam agressão e possível ocultação de cadáver

O inquérito revela ainda que o Disque Denúncia 181 recebeu informações de que Berenice teria sido agredida antes de entrar na caminhonete, sendo ouvidos pedidos de socorro. As denúncias afirmam que ela teria sido colocada à força no veículo, que seguiu justamente em direção ao Rio de Janeiro, coincidindo com os registros dos sistemas de monitoramento.

Outras denúncias citadas no documento apontam que a empregadora teria contado com a ajuda de um homem conhecido pelos apelidos "Ney" ou "Nem", posteriormente identificado pelos investigadores como um primo da investigada. Segundo essas informações, a vítima teria sido morta dentro da caminhonete e o corpo levado para uma área entre Ubatuba e Paraty. A Polícia Civil ressalta que essas denúncias, isoladamente, não possuem valor probatório, mas afirma que parte das informações é compatível com outros elementos técnicos obtidos durante a investigação.

Imagens de câmeras e novas medidas

Os investigadores também apreenderam o gravador de imagens (DVR) do rancho. Conforme o documento, a empregadora havia informado que entregaria espontaneamente as gravações, o que não ocorreu, tornando necessária a apreensão do equipamento para preservar possíveis provas.

Além da prisão temporária da investigada, a Polícia Civil representou pela realização de buscas em imóveis ligados a ela e ao homem citado nas denúncias, bem como pela quebra de sigilos telefônicos e telemáticos para reconstruir os deslocamentos e contatos realizados antes e depois do desaparecimento de Berenice.

Até o momento, o paradeiro de Berenice Ramos de Aguiar permanece desconhecido e as investigações continuam.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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