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Lucas Padula

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CASO BERENICE: Cozinheira desaparece após demissão; áudio, contradições e prisão da ex-patroa ampliam mistério em Ubatuba

Investigação aponta inconsistências entre depoimento da empresária e provas reunidas pela polícia; defesa nega envolvimento no desaparecimento

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  • Cozinheira desaparece após ser demitida de restaurante em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.
  • Áudio revela divergências sobre onde e quando Berenice foi deixada após a demissão.
  • Policia investiga possíveis inconsistências na versão da empresária sobre o desaparecimento.
  • Empresária foi presa temporariamente por suspeitas de envolvimento no caso.
  • Família e amigos seguem em busca de respostas sobre o paradeiro da cozinheira.
Berenice (à esquerda) desapareceu após aceitar a carona da patroa Eliana (à direita). | Foto: Reprodução

O desaparecimento da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar Faria, de 60 anos, ganhou novos desdobramentos após a divulgação de um áudio que passou a integrar as investigações. A gravação, atribuída ao advogado trabalhista Luiz Fernando, que intermediava uma tentativa de acordo para a rescisão do contrato de trabalho, apresenta uma conversa com a empresária Eliana, dona do restaurante onde Berenice trabalhava, e revela divergências em relação ao depoimento prestado à polícia.

Berenice desapareceu no dia 30 de junho, poucas horas depois de ser demitida do restaurante onde atuava em Ubatuba, no litoral norte de São Paulo. Segundo a investigação, ela deixou o estabelecimento após o encerramento do vínculo empregatício e aceitou uma carona oferecida pela própria ex-patroa. Desde então, não foi mais vista.

Áudio reforça dúvidas sobre a versão apresentada

Na gravação, o advogado procura entender o que aconteceu após a demissão da cozinheira e questiona diretamente a empresária sobre onde teria deixado Berenice.

Segundo o diálogo, Eliana afirma que a ex-funcionária pediu uma carona e decidiu descer no trevo de Ubatumirim. Ela relata que Berenice disse que ainda não sabia se seguiria para o bairro Toninhas e que aguardaria um ônibus no local.

Ainda na conversa, a empresária afirma ter entregado R$ 2.600 à cozinheira como parte de um acordo trabalhista e comenta que a funcionária havia trabalhado por quatro meses, embora um acerto referente a cinco meses estivesse sendo discutido.

Trecho da conversa

Advogado: "Cê levou ela em algum lugar?"

Eliana: "Ela queria uma carona até que resolveu ficar ali mesmo. No trevo de Ubatumirim, ali ela falou assim que não sabia mais se ia para as Toninhas, ia ver a coisa que ela ficou... Falei: 'Tá bom então', deixei ela lá. Pegar o ônibus, dei a ela R$ 2.600, porque ela tava querendo um acordo. Ela trabalhou aqui quatro meses, daí... Daniela falou que ia fazer um acordo de cinco meses. Ela tinha trabalhado quatro."

Advogado: "Quatro é? Te deu trabalho então?"

Eliana: "Não, não, não me deu trabalho algum."

Cronologia apresenta divergências

Para a Polícia Civil, um dos principais pontos de atenção é a cronologia apresentada pela empresária.

Em depoimento, Eliana afirmou que deu carona para Berenice entre 15h e 15h30 daquele dia. No entanto, o advogado afirma possuir registros que demonstram ter conversado com a cozinheira após esse horário, o que levanta dúvidas sobre o momento exato em que ela teria sido deixada no local informado.

As diferenças entre os horários passaram a ser consideradas relevantes pelos investigadores e reforçam a suspeita de inconsistências na versão apresentada. VEJA O MOMENTO DAS CÂMERAS DE SEGURANÇA NO MOMENTO DA SUPOSTA CARONA:

Polícia suspeita de homicídio

Com o avanço das investigações, a Polícia Civil passou a tratar o caso como um possível homicídio, mesmo sem que o corpo da vítima tenha sido localizado.

Os investigadores sustentam que há um conjunto de elementos que apontaria para a possibilidade de que Berenice tenha sido morta logo após deixar o restaurante.

Uma das hipóteses investigadas é a de que o crime teria sido motivado por questões financeiras relacionadas ao encerramento do contrato de trabalho. De acordo com a polícia, existe a suspeita de que a empresária quisesse evitar o pagamento integral das verbas rescisórias.

Ex-patroa foi presa temporariamente

Diante das evidências reunidas durante a investigação, a Justiça decretou a prisão temporária de Eliana.

Segundo a Polícia Civil, a medida foi adotada para evitar possível interferência na produção de provas e permitir o aprofundamento das diligências.

Além do áudio, investigadores analisam imagens de câmeras de segurança, registros de telefonia, movimentações da empresária e demais provas periciais para reconstruir os últimos momentos em que Berenice foi vista. VEJA O MOMENTO DA PRISÃO:

Defesa nega acusações

A defesa da empresária afirma que ela é inocente e nega qualquer participação no desaparecimento da ex-funcionária.

Os advogados sustentam que Eliana apenas ofereceu a carona e deixou Berenice no local informado, conforme relatado desde o início da investigação. Também afirmam que a prisão ocorreu de forma precipitada e que a inocência da empresária será demonstrada ao longo do processo.

Família segue em busca de respostas

Enquanto a investigação avança, familiares e amigos continuam mobilizados na tentativa de descobrir o paradeiro de Berenice.

Sem notícias desde o dia da demissão, o desaparecimento da cozinheira permanece cercado de mistério. A Polícia Civil prossegue com as buscas e a análise das provas para esclarecer o que realmente aconteceu após a trabalhadora entrar no carro da ex-patroa.

*** As opiniões aqui contidas não expressam a opinião no Grupo Meio.
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