- Casal de pastores é indiciado por estupro de vulnerável e fraudes em Roraima.
- Investigação começou em abril após denúncia de adolescente de 14 anos.
- Religiosos usavam influência e vantagens para manter vítimas em silêncio.
- 11 vítimas foram identificadas, cinco optaram por não prestar depoimento.
- Delegada destaca dissimulação dos suspeitos como principal desafio da apuração.
O casal de pastores Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, foi indiciado nesta quarta-feira (16) pela Polícia Civil de Roraima (PC-RR) pelos crimes de estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual. Segundo a investigação, os dois mantinham uma igreja em Boa Vista e utilizavam a religião como instrumento para abusar sexualmente de adolescentes com idades entre 12 e 17 anos. Ao todo, seis vítimas foram identificadas, e outras cinco pessoas com indícios de abuso optaram por não prestar depoimento.
Investigação começou em abril
As apurações tiveram início em abril deste ano, quando o representante de uma das vítimas, uma adolescente de 14 anos, registrou um boletim de ocorrência contra o casal. A Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) conduziu o inquérito, que incluiu oitivas, análise de documentos e produção de provas que comprovaram os abusos.
Segundo a polícia, a condição de líderes religiosos dos suspeitos impedia que os fiéis desconfiassem das atividades criminosas. Eles usavam argumentos religiosos para manter as vítimas sob influência e, em alguns casos, ofereciam dinheiro em espécie, transferências via Pix e outras vantagens para garantir o silêncio das adolescentes.
Disfarce religioso dificultou investigação
A delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, afirmou que o elevado grau de dissimulação dos investigados foi o principal desafio da apuração. Em depoimento, ela destacou:
"Estamos diante de um caso desafiador, especialmente pelo ambiente em que os crimes teriam sido praticados, valendo-se da fé e da vulnerabilidade espiritual das vítimas. O que tornou a investigação particularmente complexa foi o elevado grau de dissimulação dos investigados, que utilizavam justamente a confiança das vítimas como instrumento de dominação e silenciamento."
A autoridade policial também ressaltou que, por serem religiosos, os suspeitos não geravam desconfiança entre os fiéis, o que facilitava a aproximação com as vítimas.
Histórico dos crimes e novas vítimas
Após a primeira denúncia, outras cinco adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, procuraram a Polícia Civil e relataram situações semelhantes. No total, 11 vítimas foram identificadas durante o inquérito, mas cinco delas optaram por não prestar declarações formais.
A investigação também revelou a participação de uma jovem de 20 anos, que teria destruído provas contidas no telefone de Wenderson. Ela foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores.
Crimes atribuídos
Wenderson Lima foi indiciado por:
- Estupro de vulnerável
- Importunação sexual
- Favorecimento da prostituição ou exploração sexual de criança, adolescente ou pessoa vulnerável
- Registro não autorizado de intimidade sexual
- Fraude processual
- Falsidade ideológica
Arielly Kamila foi indiciada por:
- Estupro de vulnerável
- Importunação sexual
- Fraude processual
Próximos passos
O inquérito foi encaminhado ao Tribunal de Justiça de Roraima (TJ-RR). A delegada também solicitou a prisão preventiva do casal, que segue à disposição da Justiça. O caso segue em segredo de Justiça.