- Polícia Militar resgata mulher amordaçada e acorrentada após cinco dias em cativeiro em Águas Lindas de Goiás.
- Ex-companheiro, Ailton Rodrigues, foi preso em flagrante e mantido preso após confessar sequestro e uso de medicamentos.
- Carta assinada pela vítima, endereçada à família, menciona bens e pede que não se chame a polícia.
- Jovem recebe alta hospitalar e relata agressões físicas e psicológicas durante o cativeiro, pedindo apoio para buscar justiça.
- Defesa de Ailton afirma que inquérito está em andamento e que é prematura qualquer conclusão sobre o caso.
Uma carta foi encontrada pela Polícia Militar durante o resgate de Emiliane Tamara Nunes Carvalho, de 24 anos, que era mantida amordaçada e acorrentada pelo ex-companheiro em um imóvel no Setor Jardim América III, em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal.
O suspeito, Ailton Rodrigues, foi preso em flagrante e teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia neste sábado (22).
A carta, escrita em uma folha de caderno e assinada por Tamara, era endereçada à família. Entre os trechos, o texto traz a frase: “Espero não ser um adeus. Estarei sempre em espírito”.
O documento também menciona bens da jovem, como um carro e uma casa, além de fazer um pedido: "Leia com atenção, não chame a polícia".
“Mamãe, vai ver um advogado aí para levar os papéis do carro, casinha, todos no meu nome. O Ailton vai deixar um valor de 30-50 mil.”
Segundo o major Jorge Paiva, da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) de Águas Lindas de Goiás, uma análise inicial da polícia indica que Tamara pode ter sido obrigada a assinar a carta. O militar afirmou ainda que o documento estava com Ailton no momento da abordagem.
“Ele já estava andando com essa carta na hora da abordagem, estava no bolso dele”, afirmou o major.
A defesa de Ailton informou que o inquérito ainda está em andamento e que considera prematura qualquer manifestação conclusiva sobre o caso.
Acorrentada e amordaçada, mulher é resgatada após ser mantida em cativeiro por cinco dias | Foto: Reprodução
Resgate da jovem
Emiliane foi encontrada na sexta-feira (21), durante uma operação da CPE. Segundo a Polícia Militar, ela estava em um quarto, amordaçada e com braços, pernas e pescoço presos por cordas, algemas e uma corrente.
A jovem também usava uma máscara no rosto e, conforme a corporação, apresentava dificuldades para respirar.
A polícia chegou ao imóvel após localizar Ailton, que teria desobedecido a uma ordem de parada e fugido em alta velocidade. Ele foi abordado no Setor Jardim Querência e, durante as diligências, os policiais identificaram uma casa alugada por ele poucos dias antes.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito confessou ter dopado a ex-companheira com medicamentos antidepressivos e levado a jovem para o cativeiro.
A família havia comunicado o desaparecimento de Emiliane na segunda-feira (17), após ela ser vista saindo de uma clínica no bairro Jardim Barragem I.
Suspeito de sequestrar ex namorada é preso, em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera e Divulgação/Polícia Militar de Goiás
Jovem recebe alta e relata agressões
Após o resgate, Emiliane foi encaminhada para atendimento médico e recebeu alta. Neste sábado (22), ela se pronunciou nas redes sociais e agradeceu às pessoas que participaram das buscas por ela.
A jovem afirmou que o relacionamento com Ailton havia terminado em dezembro de 2025 e relatou ter sofrido agressões durante o período em que ficou em cativeiro.
“Eu estou toda queimada por dentro, porque ele enfiava panos com ácidos dentro de mim”, relatou.
Em outro trecho do depoimento, Emiliane pediu apoio para buscar Justiça.
“As buscas não acabam aqui. Agora é o início de tudo. O início para que a gente possa buscar justiça pelo que aconteceu comigo.”
Prisão mantida pela Justiça
Ailton passou por audiência de custódia neste sábado (22), e a Justiça manteve a prisão. Ele deve responder, conforme as informações apresentadas na matéria, pelos crimes de sequestro e porte ilegal de arma de fogo.
A investigação também apura o histórico de violência doméstica relatado pela Polícia Civil e as demais circunstâncias do caso.
O que diz a defesa
O advogado Ilvan Barbosa afirmou que o inquérito policial ainda está em andamento e que é prematura qualquer conclusão sobre o mérito do caso.
Segundo a defesa, nem todas as informações divulgadas correspondem necessariamente à realidade dos fatos. O advogado afirmou ainda que, após a conclusão das investigações e a individualização das condutas, espera que seja esclarecida a extensão dos fatos atribuídos ao investigado.
A defesa declarou acompanhar as diligências e confiar no esclarecimento do caso, com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.