O Mato Grosso do Sul, por sua posição estratégica na fronteira com o Paraguai, tornou-se uma das principais portas de entrada de canetas emagrecedoras contrabandeadas no Brasil. Segundo especialistas, os criminosos passaram a usar as mesmas rotas historicamente exploradas pelo tráfico de drogas para trazer os medicamentos de forma ilegal. Desde que a Anvisa proibiu a entrada desses produtos sem registro no país, em novembro de 2025, a prática passou a ser enquadrada como contrabando e crime contra a saúde pública.
As apreensões dispararam. Dados das forças de segurança apontam que milhares de caixas já foram interceptadas em rodovias que ligam cidades de fronteira, como Ponta Porã, a outros estados brasileiros. Os medicamentos geralmente saem de Pedro Juan Caballero, atravessam a fronteira seca e seguem por estradas estaduais, federais e vicinais. Além do transporte em veículos, as autoridades também identificaram tentativas de envio pelos Correios, mostrando a diversificação das estratégias usadas pelas organizações criminosas.
De acordo com investigadores, o contrabando das canetas se tornou mais uma fonte de renda para grupos que já atuam no narcotráfico, aproveitando a estrutura logística existente. O alto lucro e a grande demanda no mercado brasileiro impulsionam o esquema. Estimativas indicam que esse mercado ilegal já movimentou centenas de milhões de reais, favorecido pela extensa fronteira e pela facilidade de circulação na região.
As autoridades alertam que, além de crime, o uso desses medicamentos representa risco à saúde. Sem controle sanitário, os produtos podem ser falsificados, adulterados ou transportados sem refrigeração adequada. Especialistas destacam que o uso irregular pode causar reações adversas graves, como pancreatite, desidratação e alterações hormonais, reforçando a importância de adquirir apenas medicamentos regularizados e com prescrição médica.