- Maria Helena é solta após decisão da Justiça Federal em Goiás.
- Ela deve usar tornozeleira por 90 dias e cumprir medidas cautelares.
- Investigação aponta que Maria Helena movimentou R$ 45 milhões em esquema de migração ilegal.
- Pelo menos 463 brasileiros foram identificados como clientes do esquema criminoso.
Após deixar a prisão depois da decisão da Justiça Federal em Goiás, a empresária Maria Helena de Sousa Netto Costa, suspeita de movimentar R$ 45 milhões em um esquema de migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos, deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias. Ela havia sido presa na quinta-feira (7), em Goiânia, durante operação da Polícia Federal (PF).
Segundo as investigações, Maria Helena é apontada como uma das responsáveis por organizar viagens ilegais de brasileiros para os Estados Unidos, com atuação entre os anos de 2018 e 2023. A empresária é sogra do governador de Goiás, Daniel Vilela, mas, de acordo com a Polícia Federal (PF), ele e a esposa não são investigados.
Esquema teria movimentado R$ 240 milhões
De acordo com a PF, os grupos investigados atuavam de forma estruturada e movimentaram cerca de R$ 240 milhões no período investigado. Pelo menos 463 brasileiros já foram identificados como clientes do esquema criminoso, que envolvia logística de viagens, passagens, hospedagens e travessias ilegais pela fronteira entre México e Estados Unidos.
As investigações apontam que Maria Helena mantinha contato com os chamados “coiotes”, responsáveis por conduzir imigrantes ilegalmente até território norte-americano. A polícia também identificou movimentações financeiras milionárias nas contas da empresária após quebra de sigilos bancários e telefônicos autorizada pela Justiça.
Áudios e suspeitas
Em áudios obtidos durante a investigação, Maria Helena aparece relatando experiência em retirar imigrantes presos nos Estados Unidos. Em uma das gravações, ela afirma: “Os meninos foram presos. Eu consigo tirá-los. Tiro, sempre tiro... todos que ficam eu tiro”.
Segundo a PF, o esquema envolvia ainda empresas de fachada, uso de laranjas e mecanismos de lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos recursos obtidos com as viagens ilegais.
Além de Maria Helena, outras três pessoas foram alvo da operação em Goiás. A investigada Juliana Rosa Tomé Fróes, apontada como responsável por captar clientes e cuidar da logística das viagens, também foi solta com uso de tornozeleira eletrônica pelo prazo inicial de 90 dias.
Outros investigados seguem presos
O marido de Juliana, Fábio Rodrigo Fróes, continua preso até a última atualização do caso. Já Valéria Divina de Macedo, apontada como responsável pela parte financeira e logística da organização, também segue detida.
No Amapá, outros dois suspeitos considerados líderes do esquema não foram localizados e acabaram incluídos na lista da Interpol, segundo informou a Polícia Federal.
Defesa fala em “desnecessidade” da prisão
Em nota, a defesa de Maria Helena afirmou que a revogação da prisão preventiva representa o reconhecimento da “desnecessidade da medida extrema”. Os advogados também pediram respeito ao princípio da presunção de inocência e informaram que a empresária seguirá colaborando com as investigações.
Já a defesa de Juliana Rosa sustentou que auxiliar brasileiros a se apresentarem às autoridades norte-americanas para solicitar asilo não configura crime de migração ilegal. Os advogados afirmam que os pedidos de regularização migratória ocorreriam de forma espontânea perante as autoridades dos Estados Unidos.
O governador Daniel Vilela também divulgou nota afirmando que os fatos investigados não têm relação com ele, com a esposa ou com o Governo de Goiás.