A morte da estudante de jornalismo Janaína Bezerra completa três anos nesta quarta-feira (28), sem que haja uma definição judicial sobre o caso que chocou o Piauí e ganhou repercussão nacional. Estuprada e assassinada dentro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), durante uma calourada em janeiro de 2023, Janaína tinha 22 anos e estava no início da vida acadêmica.
O principal acusado, o mestrando Thiago Mayson da Silva Barbosa, chegou a ser condenado a 18 anos e seis meses de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, estupro de vulnerável, vilipêndio de cadáver e fraude processual. No entanto, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI), e, até o momento, não há data definida para um novo julgamento.
A ausência de um desfecho judicial mantém familiares, amigos e movimentos sociais em constante mobilização por justiça. Janaína nasceu em Teresina, morava na zona Norte da capital e sonhava em atuar como jornalista. Além da graduação, cultivava o hábito de escrever poesias, muitas delas publicadas em redes sociais, onde falava sobre o cotidiano, os sonhos e a negritude.
Julgamento anulado
O julgamento que condenou Thiago Mayson ocorreu em setembro de 2023, após sucessivos adiamentos. A pena, considerada baixa pela acusação diante da gravidade dos crimes, foi alvo de recursos apresentados pelo Ministério Público do Piauí e pelos advogados que representam a família da vítima.
Segundo a defesa da acusação, houve falhas na formulação dos quesitos apresentados aos jurados, o que teria provocado confusão na votação, especialmente em relação à qualificadora de feminicídio, que acabou rejeitada. A anulação da sentença abriu caminho para um novo júri, que ainda aguarda marcação.
Desde então, o processo permanece sem data definida, alimentando críticas à morosidade judicial em casos de violência extrema contra mulheres.
Crime chocou o país
Janaína Bezerra foi encontrada morta na madrugada de 28 de janeiro de 2023, em uma sala de mestrado em Matemática da UFPI, após participar de uma calourada realizada dentro da instituição. Um laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) apontou indícios de violência sexual e indicou como causa da morte um trauma raquimedular provocado por ação contundente.