- Herbert Corujão relembra casas noturnas emblemáticas dos anos 80 e 90, como Matrichan e Templum, que marcaram a cultura da noite em Teresina.
- Mariana Paz destaca música ao vivo e encontros com amigos como traços distintos da noite teresinense nos anos 90 e início dos 2000.
- Marco Antônio conta sobre o Bar do Churu, espaço de encontro criativo e organização de eventos musicais na cultura local.
- Produtos da música e cultura teresinense destacam mudanças na noite da cidade, com ênfase na migração de eventos e na segurança urbana.
Teresina já viveu anos de ouro de uma noite aquecida, divertida e emblemática, com bares e casas noturnas que ficaram marcados para sempre na memória dos teresinenses. Uma vivência que a nova geração não pode experimentar, mas que precisa conhecer.
Como uma forma de revisitar a história da capital, e em comemoração ao aniversário da cidade, o meionews.com ouviu três personalidades que viveram a noite de Teresina e possuem bagagem suficiente para relembrar.
O TBTeresina te leva a conhecer a Teresina do passado e a cidade atual de uma forma que você nunca viu.
COMO ERA A NOITE DE TERESINA?
O produtor de eventos Herbert Corujão revelou que, há trinta anos, o que estava em alta em Teresina eram as famosas casas noturnas que fizeram história, como Matrichan, Brilhos e Templum, que marcaram os anos 80 e 90.
Com mais de 20 anos de experiência com o reggae, Corujão relembrou o primeiro movimento do gênero em Teresina, com forte influência dos universitários: "Uma das primeiras casas ou bares de reggae que tinha essa cultura mais alternativa, como existe hoje no centro, era o 'Raiz', que ficava do lado do muro da Universidade Federal", disse o produtor.
Para Herbert, uma das grandes transições de mudança da noite de Teresina foram as boates que perderam fôlego: "As pessoas realmente iam para as baladas. Hoje em dia está mais capilarizado, porque tem coisas que acontecem nos bairros", afirmou.
Ele atribuiu a capilarização dos eventos ao crescimento de Teresina e afirmou que as festas noturnas foram migrando ao longo das décadas: "Teve uma época que o circuito era na Nossa Senhora de Fátima. Teve um tempo que era cheio de barzinho na avenida e todo mundo vinha pra Nossa Senhora de Fátima. E agora no centro tá um grande movimento. E eu não sei pra onde é que vai migrar agora, né? Depois do centro", disse.
Para Herbert, a questão da segurança nas ruas é algo que ainda precisa de intervenção. Ele relembrou como as pessoas se sentiam mais confortáveis em ocupar a cidade no período noturno.
Eu me lembro muito bem. Quando eu atravessava a rua, eu estudava na Universidade Federal e ia pro centro a pé, sabe? A pé mesmo, voltava. Eu via pessoas voltando de baile de bicicleta. Hoje em dia é muito difícil, a gente vê. A questão da segurança é primordial para que as pessoas se sintam à vontade nos lugares, completou Herbert.
MÚSICA AO VIVO COM BONS AMIGOS
Mariana Paz cresceu cercada de cultura, música e arte. Com isso, ela fundou o EntreCultura há 16 anos e vivenciou as diferentes mudanças que Teresina passou ao longo dos anos. Quando questionada sobre qual seria o programa da vez em uma sexta-feira à noite na capital, décadas atrás, ela relembrou que música ao vivo era o que lhe atraía.
Provavelmente eu estaria em um barzinho onde tivesse música ao vivo de artistas que tivessem em seu repertório também música autoral. Sempre fui uma pessoa de frequentar barzinho com música ao vivo. Sempre gostei de botequim. O rolê era sempre esse: encontrar com os amigos em algum lugar que tivesse música ao vivo, que a gente pudesse curtir, escutar e dançar, disse Mariana.
A jornalista disse que sente um choque geracional muito grande na forma como se diverte em Teresina atualmente: "Eu tenho uma coisa muito nostálgica, não sei se estou romantizando as noites da minha adolescência, do início da minha juventude, mas hoje em dia é tudo bem diferente", relembrou a produtora.
Apesar das mudanças sentidas, ela enfatiza que a cultura sempre está em movimento:
Acho muito interessante porque são novos nichos que são criados, outras formas de você representar o que está acontecendo hoje. São várias maneiras de você sentir, se emocionar e causar sensações também através da arte, da cultura. Para mim a arte provoca a cultura nesse sentido e termina sendo uma mola propulsora para que a cultura tenha essa mudança, e eu acho que essa renovação é sensacional, afirmou.
'TODO MUNDO MUITO CRIATIVO'
Marco Antônio começou a se envolver no mundo da música teresinense ainda muito jovem. Ele relembrou que o famoso Bar do Churu era o principal ponto de encontro entre amigos, onde muitas bandas locais já tocaram.
Todo mundo da minha geração era muito criativo e jovem. Aí se organizavam para fazer os eventos, e o pessoal ia lá no Bar do Churu e organizava o próprio evento, então rolou muito show. O Bar do Churu era um lugar que ia muita gente interessada em música, em conhecer música, relembrou.
Ele também relembrou que a universidade tinha papel importante em conectar os jovens à música e à cultura.
"A Quinta Cultural acontecia com muita frequência, fora o que acontecia dentro dos centros. A universidade sempre foi, assim, um ponto de convergência dessa galera da cultura e da música", afirmou.
Marco também destacou que houve uma mudança no tipo de gênero musical que o teresinense escuta. Se no começo dos anos 2000 o rock estava em alta, hoje a música eletrônica dominou o cenário.
Teresina era uma cidade muito rock nesta primeira década dos anos 2000. Era uma cidade muito caracterizada pela noite rock, e essa cultura do rock foi se diminuindo um pouco. Hoje na noite a gente vê muito, pelo menos nos espaços que eu circulo, mais música eletrônica mesmo, disse.