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Operação resgata 40 trabalhadores em situação análoga à escravidão no Piauí

Entre as irregularidades estavam a falta de instalações sanitárias adequadas, fornecimento de água imprópria para consumo, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e alojamentos superlotados e sem energia elétrica

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  • Operação conjunta resgata 40 trabalhadores em Sussuapara, Floriano e Oeiras, no Piauí, entre 24 de agosto e 2 de setembro.
  • Trabalhadores encontrados em condições precárias, sem direitos trabalhistas e com falta de instalações sanitárias adequadas.
  • Empregadores comprometeram-se a pagar R$ 295 mil em indenizações, incluindo verbas rescisórias e danos morais.
  • Piauí atinge 100 resgates de trabalhadores em 2026, superando números dos anos anteriores, segundo o MPT-PI.
  • Denúncias anônimas podem ser feitas pelo site do MPT-PI ou pelo WhatsApp (86) 99544-7488, para combater trabalho escravo.
Operação resgata 40 trabalhadores em situação análoga à escravidão no Piauí | Foto: Divulgação/MPT
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Uma operação conjunta do Grupo Móvel de Combate ao Trabalho Escravo resgatou 40 trabalhadores submetidos a condições análogas às de escravidão nos municípios de Sussuapara, Floriano e Oeiras, no Piauí. A ação ocorreu entre os dias 24 de agosto e 2 de setembro e contou com a participação do Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI), Polícia Federal (PF), Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e Defensoria Pública da União (DPU).

Trabalhadores foram encontrados em três municípios

Em Sussuapara, 22 trabalhadores foram resgatados durante atividades na construção civil. Eles atuavam em obras de pavimentação, construção de uma escola e de um campo society. Em Floriano, oito trabalhadores foram encontrados em condições degradantes durante a extração de palha de carnaúba. Entre eles estava um adolescente de 17 anos.

Já em Oeiras, outros dez trabalhadores foram resgatados também durante a extração da palha de carnaúba. Durante as fiscalizações, as equipes identificaram, além da ausência de direitos trabalhistas, condições precárias nos alojamentos e nas frentes de trabalho.

Entre as irregularidades estavam a falta de instalações sanitárias adequadas, fornecimento de água imprópria para consumo, ausência de equipamentos de proteção individual (EPIs) e alojamentos superlotados e sem energia elétrica. Os trabalhadores também faziam refeições e suas necessidades fisiológicas ao relento.

Foto: Divulgação/MPT

Procurador aponta condições precárias

O procurador do Trabalho Edno Moura, coordenador de Combate ao Trabalho Escravo do MPT-PI e integrante da operação, afirmou que os empregadores devem garantir condições adequadas aos trabalhadores.

Os empregadores precisam se conscientizar e oferecer condições mínimas de trabalho. Em todos os locais, tanto nas frentes de trabalho quanto nos alojamentos, as condições eram bastante precárias, afirmou.

Segundo o procurador, havia aproximadamente três anos que não eram registrados resgates de trabalhadores em condições análogas às de escravidão na cadeia produtiva da carnaúba no Piauí. O último caso havia sido registrado em 2023.

É preocupante voltarmos a encontrar, depois de aproximadamente três anos, trabalhadores submetidos a condições degradantes na cadeia produtiva da carnaúba. A operação mostra que a fiscalização precisa ser permanente e que empregadores de todos os setores devem assegurar condições dignas de trabalho e o cumprimento integral da legislação trabalhista. Trabalho digno pressupõe respeito à saúde, à segurança e aos direitos fundamentais do trabalhador, destacou.

Foto: Divulgação/MPT

Empregadores terão que pagar indenizações

Os empregadores foram identificados e se comprometeram a pagar aproximadamente R$ 200 mil em verbas rescisórias aos trabalhadores. Também foi acordado o pagamento de cerca de R$ 95 mil por danos morais individuais. A reparação por dano moral coletivo ainda está em discussão.

Com os 40 trabalhadores encontrados na operação, o Piauí chega a 100 pessoas resgatadas de condições análogas às de escravidão em 2026. O número supera os registros dos dois anos anteriores. Em 2025, foram 28 trabalhadores resgatados no estado. Em 2024, foram 14.

Já em 2023, o Piauí registrou 159 resgates, enquanto, em 2022, foram 180. As ocorrências identificadas em 2026 envolvem atividades de pavimentação, catação de raízes, carvoaria, trabalho escravo doméstico, extração de carnaúba e construção civil.

Para Edno Moura, os números reforçam a necessidade de atuação conjunta dos órgãos públicos no combate ao trabalho escravo contemporâneo.

“O fato de já termos alcançado 100 trabalhadores resgatados neste ano demonstra que o trabalho escravo contemporâneo ainda é uma realidade que exige atenção permanente do poder público e de toda a sociedade. A atuação integrada das instituições é fundamental não apenas para retirar essas pessoas de situações degradantes, mas também para responsabilizar os empregadores, garantir a reparação dos trabalhadores e prevenir novas ocorrências”, ressaltou.

Foto: Divulgação/MPT

Denúncias podem ser feitas de forma anônima

O procurador também pediu a colaboração da população por meio de denúncias de trabalho em condições análogas às de escravidão. As denúncias podem ser feitas presencialmente nas unidades do MPT-PI em Teresina, Picos e Bom Jesus. Também é possível denunciar pelo site do órgão ou pelo WhatsApp (86) 99544-7488.

Segundo o MPT-PI, as denúncias podem ser anônimas e/ou sigilosas e auxiliam os órgãos de fiscalização na identificação de situações de trabalho escravo.

Foto: Divulgação/MPT

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