- O Piauí foi alvo da Operação Perseu7, deflagrada na quinta-feira (24) pela PCDF contra grupo que comercializava dados sigilosos.
- Foram cumpridos 13 mandados de prisão e busca em seis estados, com bloqueio de bens e retirada do site da plataforma ilegal.
- A plataforma cobrava mensalidades para fornecer dados pessoais e governamentais, obtidos por vazamentos em sistemas públicos e privados.
- O grupo faturou mais de R$ 7 milhões entre 2021 e 2026, com R$ 4 milhões apenas em 2025, e usava criptoativos para lavar lucros.
- Treze pessoas foram identificadas e podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e estelionato.
O Piauí está entre os seis estados que foram alvos da Operação Perseu7, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na quinta-feira (24) contra um grupo suspeito de comercializar dados sigilosos em uma plataforma clandestina de consulta de informações pessoais.
Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de prisão temporária e busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí, Paraná, Espírito Santo e Pernambuco. A Justiça também determinou o bloqueio de bens, valores e criptoativos dos investigados, além da retirada do site do ar.
A ação foi realizada pela Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos, do Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor).
O QUE ACONTECIA?
Segundo as investigações, a plataforma cobrava mensalidades para fornecer centenas de milhões de dados pessoais, sigilosos e governamentais. As consultas podiam ser feitas a partir de um CPF ou CNPJ e, com isso, seria possível saber o nome, a filiação, o endereço, os documentos, os vínculos e os processos judiciais de qualquer pessoa.
Os dados seriam obtidos por meio de vazamentos e falhas em sistemas públicos e privados. O delegado-chefe da DRCC, João Guilherme Carvalho, disse ao Globo que essas informações eram repassadas a organizações criminosas ligadas a crimes cibernéticos.
GOLPES
Segundo ele, os dados serviam de base para golpistas de todo o país aplicarem fraudes cibernéticas, como o golpe do falso advogado e do perfil falso de WhatsApp. Conforme o jornal O Globo, entre março de 2021 e março de 2026, o grupo teria faturado mais de R$ 7 milhões, sendo R$ 4 milhões apenas em 2025.
A apuração aponta que o grupo era dividido em funções como liderança, desenvolvimento, fornecimento de dados, operadores de fraudes, laranjas e vendas. Os lucros eram lavados por meio de empresas de fachada, contas-bolsão e criptomoedas, enquanto o grupo já preparava uma segunda plataforma.
Treze pessoas foram identificadas e podem responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, receptação qualificada, invasão de dispositivo informático e estelionato.