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“Não sabe nem se chega”: crise no transporte público faz população buscar alternativas em Teresina

Sem confiar na regularidade dos ônibus, muitos teresinenses passaram a recorrer ao transporte alternativo para conseguir cumprir a rotina diária

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  • O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí (Sintero) negocia melhores condições de trabalho com o setor empresarial.
  • A população de Teresina enfrenta crise urbana devido à precarização do transporte público, levando a paralisação parcial e ameaça de greve geral.
  • Os "ligeirinhos" são uma opção alternativa para os teresinenses se locomoverem pela capital, mas não há dados oficiais sobre o crescimento da procura por esses serviços.
  • A crise no transporte público também impacta no comércio local, afetando as vendas do Centro de Teresina.
Centro de Teresina | Foto: Maria Albuquerque/MeioNews
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O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Piauí (Sintero) travou uma série de negociações nas últimas semanas com o setor empresarial em busca de melhores condições de trabalho.

Reivindicações estas que contaram com paralisação parcial do transporte público em Teresina e deixaram a população em alerta para uma possível greve geral, sendo apenas mais um dos capítulos da precarização dos ônibus da capital.

Centro de Teresina - Foto: Maria Albuquerque/MeioNews

Quando não há transporte público eficiente, quais as rotas que a população toma para conseguir se locomover? meionews.com foi às ruas de Teresina para entender como os teresinenses estão lidando com a crise urbana.

OS FAMOSOS “LIGEIRINHOS”

Em entrevista ao meionews.com, Isaías Ferreira, de 73 anos, criticou a precarização do transporte público. O morador da Santa Maria da Codipi afirma que, muitas vezes, tem que recorrer a opções alternativas, como o ligeirinho, para conseguir se locomover pela capital:

Eu pago mais do meu bolso do que pegando ônibus, porque eu sei que não dá para chegar na hora certa. A gente já está contando com esse ligeirinho, porque, se não fosse ele, nós estaríamos mortos. Porque no ônibus mesmo não pode contar, né? Não sabe nem se ele chega, afirmou Isaías.

Isaías Ferreira - Foto: Maria Albuquerque/MeioNews

Quando questionado sobre como chegou ao Centro da capital, Isaías afirmou: “Cheguei de ligeirinho”.

OPÇÕES ALTERNATIVAS

Não existem dados oficiais que comprovem o crescimento da procura por opções alternativas de locomoção em Teresina em meio à crise no transporte público. No entanto, o IBGE aponta que 28,43% dos trabalhadores da capital utilizam motocicletas para trabalhar, enquanto apenas 14,28% recorrem ao transporte coletivo.

Um dos coordenadores do “ligeirinho”, Orlando dos Santos, afirmou à reportagem que o serviço prestado é uma alternativa para suprir a necessidade da população:

O ligeirinho é uma alternativa é uma necessidade. Às vezes, o usuário do transporte coletivo necessita chegar mais rápido, precisa se locomover mais rápido. Nós estamos aqui para suprir a necessidade onde o transporte coletivo público da capital não está agindo da forma que deveria, afirmou.

Orlando dos Santos - Foto: Maria Albuquerque/MeioNews

Orlando afirmou que a precarização dos ônibus da capital também impacta em seu trabalho:

Não é que o transporte público não funcione, funciona da forma deles. Mas a greve, se eu disser para você que ajuda nós, ligeirinhos, não ajuda não. Para nós, ligeirinhos, se não tiver transporte para trazer o passageiro dos bairros, o passageiro não vem, é muito difícil. Nosso transporte é mais para levar o passageiro para casa, afirmou Orlando.

MERCADO É AFETADO

A comerciante Antônia Castro relata que, quando há greves ou paralisações no transporte, os impactos também são sentidos pelo comércio local:

O comércio do Centro de Teresina depende do ônibus. Mesmo que a gente não seja usuária do ônibus, depende do passageiro, porque eles vêm para cá, a maioria vem de ônibus. Então, se tivesse uma qualidade melhor, mais ônibus, com certeza as vendas do Centro melhorariam muito, relatou a empreendedora.

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