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Motorista de Uber cria lojinha dentro do carro para aumentar renda em Teresina

Willamy Aguiar, de 25 anos, vende perfumes, carregadores e fones de ouvido aos passageiros e afirma que estratégia pode elevar o faturamento diário

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  • Willamy Aguiar, de 25 anos, transformou seu carro em loja de produtos como perfumes e carregadores durante corridas.
  • A ideia surgiu após observar motoristas que vendiam itens em veículos, incentivando a criação de uma loja em Teresina.
  • Com a loja, ele complementa a renda obtida com corridas, alcançando até R$ 600 por dia, além de cobrir despesas pessoais.
  • Willamy também administra finanças, separando recursos para custos do carro, emergências e investimentos na loja.
  • Ele enfrenta riscos diários, como conflitos com passageiros e incertezas sobre segurança, mas busca formalizar sua atividade.
Apesar da possibilidade de aumentar a renda, Willamy lembra que trabalhar como motorista de aplicativo também significa enfrentar situações imprevisíveis. | Foto: REPRODUÇÃO
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 Conciliar faculdade, trabalho e as despesas do dia a dia não é uma tarefa fácil. Para o motorista de aplicativo Willamy Aguiar Cruz Carvalho Castelo Branco, de 25 anos, a busca por uma renda maior fez surgir uma ideia diferente: transformar o próprio carro em uma pequena loja.

 Morador de Teresina, Willamy trabalha como motorista de aplicativo há um ano e sete meses. A rotina começa cedo. Pela manhã, ele frequenta a faculdade de Enfermagem, das 7h às 12h. Depois do almoço, retorna ao carro e permanece trabalhando até as 23h.

 Foi justamente durante as longas jornadas ao volante que ele percebeu uma oportunidade de negócio. A inspiração veio de outros motoristas que começaram a vender produtos dentro dos próprios veículos.

 “Com o tempo, apareceu no Instagram motoristas que tinham lojinhas vendendo bombons, brigadeiros e coisas do tipo. Porém, essas lojas só tinham em São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília”, conta.

 Quando encontrou um fornecedor que produzia o modelo de loja para motoristas em Teresina, decidiu investir. Segundo ele, o retorno veio rapidamente.

 “A loja começou a dar certo, ela pagou o investimento que eu fiz e todos os produtos também”, afirma.

 Atualmente, os passageiros encontram dentro do carro perfumes, carregadores de celular, cabos e fones de ouvido. Os produtos ficam expostos em um espaço de fácil visualização, próximo ao passageiro, permitindo que o cliente veja as opções durante a viagem.

 De motorista a vendedor

 A estratégia acabou transformando as corridas em uma oportunidade para apresentar os produtos. Segundo Willamy, a reação dos passageiros costuma ser positiva, principalmente pela praticidade.

 “É algo que você precisa no dia a dia. Um carregador portátil, um cabo, um perfume para dar de presente. Você já tem dentro do carro”, explica.

 Ele conta que alguns passageiros entram no veículo já interessados em conhecer a loja e acabam realizando a compra durante a própria viagem.

 Além dos produtos disponíveis no carro, Willamy também utiliza o WhatsApp e o Instagram para vender para pessoas que fazem parte do seu círculo de contatos.

 A quantidade de produtos vendidos varia conforme o movimento. Em alguns dias, ele consegue vender dois ou três perfumes, por exemplo. Para o motorista, porém, mais importante do que o volume de vendas é o complemento que a atividade proporciona à renda obtida com as corridas.

 Meta de até R$ 450 por dia

 Willamy estabeleceu uma meta diária de aproximadamente R$ 450 com o trabalho como motorista. Nem sempre, entretanto, consegue alcançar esse valor apenas com as corridas.

 É nesse momento que a lojinha faz diferença.

 “Às vezes faço R$ 300. Vendendo meus produtos, eu posso chegar na casa dos R$ 600 por dia”, relata.

 Segundo ele, a renda obtida com as vendas funciona como um complemento para alcançar a meta estabelecida. A experiência foi tão positiva que ele afirma não conseguir mais imaginar sua rotina profissional sem a atividade.

 “Hoje eu não consigo viver sem minha lojinha e sem vender meus produtos para os meus clientes”, diz.

  Uma mudança na vida profissional

 Antes de trabalhar por aplicativo, Willamy era funcionário de uma empresa de telemarketing em Teresina. Ele começou como colaborador e chegou ao cargo de supervisor durante os três anos em que permaneceu na empresa.

 Depois de ser demitido, precisou buscar uma nova alternativa de renda. Na época, havia acabado de alugar uma casa e tinha despesas como aluguel, água e energia.

 Ele chegou a tentar novamente um emprego com carteira assinada, mas afirma que o salário não era suficiente para cobrir as despesas.

 “Na época eram R$ 1.300. Não supria as necessidades”, lembra.

 Foi então que decidiu testar o trabalho como motorista de aplicativo. Primeiro, alugou um carro por 30 dias para descobrir se conseguiria obter uma renda suficiente. Depois da experiência, decidiu financiar o próprio veículo.

 Desde então, passou a trabalhar nas ruas de Teresina e encontrou nas vendas uma nova possibilidade de complementar o orçamento.

  Mais do que vender, é preciso administrar

 Para Willamy, ter mais de uma fonte de renda é importante, mas não basta. Ele acredita que a organização financeira é um dos principais desafios enfrentados pelos motoristas de aplicativo.

O jovem afirma que separa o dinheiro recebido em diferentes categorias, incluindo despesas pessoais, custos do carro, emergências e investimentos na própria loja.

 “Você tem que ter gestão”, defende.

 Ele também chama atenção para os gastos com manutenção. Pneus, peças, ar-condicionado, lâmpadas e outros reparos podem representar despesas de centenas de reais e precisam ser considerados como parte do custo do trabalho.

 “Tem que dar valor ao que você trabalha e melhorar o que você tem”, afirma.

 Para ele, o carro é, na prática, a própria empresa do motorista.

 “Quanto sua empresa vale? Se meu carro é sucateado, então minha empresa não vale isso. Eu sei o meu valor”, diz.

  Rotina também envolve riscos

 Apesar da possibilidade de aumentar a renda, Willamy lembra que trabalhar como motorista de aplicativo também significa enfrentar situações imprevisíveis.

 Segundo ele, os profissionais lidam diariamente com passageiros diferentes e precisam manter a calma diante de conflitos. O motorista conta que já discutiu com passageiros em algumas situações, mas afirma que os episódios não chegaram a agressões físicas.

 Para ele, também existe a preocupação com a própria segurança.

 “Eu saio de casa todos os dias sem saber o que eu vou voltar para casa. Eu não sei se eu vou conseguir fazer meus R$ 200, R$ 300”, relata.

 Além dos gastos pessoais, o motorista precisa arcar com os custos de manutenção do veículo e outras despesas. Por isso, ele considera importante criar uma reserva para emergências.

 A preocupação com o futuro também fez Willamy buscar alternativas de proteção. Ele pretende se formalizar como Microempreendedor Individual (MEI) e contribuir para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 A ideia, segundo ele, é ter acesso a outras possibilidades, como benefícios previdenciários e linhas de crédito.

 Enquanto concilia a faculdade de Enfermagem com as longas jornadas no volante, Willamy segue apostando na criatividade para aumentar a renda. Dentro do carro, entre uma corrida e outra, perfumes, carregadores e fones de ouvido ganharam espaço  e ajudaram a transformar o veículo em uma pequena loja sobre quatro rodas.

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