- Mapa de agosto mostra todos os municípios do Piauí em algum grau de seca.
- Retorno da seca grave em 22 cidades, situação não registrada desde abril.
- Indicadores como reservatórios e vegetação ajudam a classificar a seca.
- El Niño influencia clima com temperaturas altas e redução da umidade.
- Monitor de Secas atua como alerta para agravamento da crise hídrica.
O retrato da seca no Piauí ficou mais preocupante em agosto. O novo mapa Monitor de Secas, divulgado pela Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), mostra que todos os municípios piauienses voltaram a apresentar algum grau de seca. O cenário também marca o retorno da seca grave, identificada em 22 cidades , situação que não era registrada no Estado desde abril.
O avanço ocorre justamente no período em que a ausência de chuvas começa a produzir efeitos mais fortes sobre o território. Segundo a meteorologista da Semarh, Sônia Feitosa, o mapa de agosto é um retrato das condições observadas naquele mês e leva em consideração não apenas a chuva, mas um conjunto de indicadores.
Agosto, por conta da piora nos indicadores de seca, naturalmente faz com que as categorias de seca sejam aumentadas em algumas regiões e as áreas também sejam expandidas, explica Sônia.
No norte do Estado, houve expansão da seca fraca. Já em uma faixa do Sul e Sudeste, o quadro se agravou, com o surgimento de áreas classificadas como seca grave, principalmente em regiões próximas às divisas com Pernambuco e Bahia.
A classificação considera fatores como volume dos reservatórios, disponibilidade de água para consumo humano e animal, condições da vegetação e resposta dos diferentes territórios à estiagem.
Não é só a chuva. A gente observa a saúde da vegetação, a dessedentação dos animais, o consumo humano e o volume dos reservatórios. Todos esses elementos podem indicar uma piora ou uma melhora no quadro de seca, afirma a meteorologista.
Sônia também chama atenção para outro fator que começa a influenciar as condições climáticas: o El Niño. Mesmo ainda sem apresentar sua influência máxima, o fenômeno já contribui para temperaturas mais elevadas, redução da umidade relativa do ar e mudanças no comportamento dos ventos.
E há um agravante, a seca não começou agora. Parte das áreas já acumula impactos de curto e longo prazo, o que torna a recuperação ainda mais lenta e aumenta a atenção sobre os recursos hídricos.
O Monitor de Secas funciona, assim, como um verdadeiro termômetro da estiagem no Piauí. E o mapa de agosto acende um sinal de alerta: com o período chuvoso ainda distante em boa parte do Estado, a tendência é de que os indicadores continuem exigindo atenção especial.