- Gonzaga Lu, artista piauiense, transformou a música em carreira e símbolo da cultura de Teresina.
- O Forró Debaixo da Ponte, iniciado em 2019, se tornou tradição cultural em Teresina e além.
- O projeto preserva o forró raiz e promove novos talentos da música local piauiense.
- Gonzaga Lu defende mais apoio político e incentivo à música popular no Piauí.
- A iniciativa reúne moradores e turistas, fortalecendo a identidade musical da região.
A música transformou a vida de Gonzaga Lu ainda na infância e, mais de quatro décadas depois, continua sendo a força que impulsiona sua carreira e um dos símbolos da cultura popular de Teresina. À frente do projeto Forró Debaixo da Ponte, realizado a mais de 7 anos todas as segundas-feiras, às 20h, na Avenida Marechal Castelo Branco, sob a Ponte Juscelino Kubitschek, o cantor afirma que a iniciativa se consolidou como uma tradição da capital e reforça a necessidade de mais incentivo aos artistas piauienses.
Da igreja aos palcos
A relação de Gonzaga Lu com a música começou cedo. Segundo o artista, aos 10 anos já tinha contato com o universo musical e, aos 15, passou a cantar em corais de igreja em Campo Maior. Um ano depois, integrou a então conhecida Banda Spacial, iniciando uma trajetória que se transformaria em profissão.
"Gonzaga Lu nasceu na música a partir dos 10 anos. Aos 15 já cantava em corais de igreja em Campo Maior e aos 16 já integrava a então conhecida Banda Spacial. Virou profissão desde 1980", relembrou.
Embora tenha iniciado a carreira antes, foi em 1994, ao retornar ao Piauí, que consolidou seu trabalho solo em Teresina. " Foi aqui que consolidei minha carreira solo a partir do ano de 1994. Amo Teresina e o Piauí, que me abraça musicalmente", afirmou.
Forró Debaixo da Ponte virou tradição
Criado em fevereiro de 2019, o Forró Debaixo da Ponte nasceu de uma reunião entre amigos. Gonzaga conta que o projeto enfrentou resistência no início, mas nunca deixou de acreditar que poderia se tornar uma referência cultural.
"Surgiu de uma reunião de amigos em fevereiro de 2019, com muita insistência, sem apoio e contra algumas pessoas que pensavam o contrário. Hoje somos um projeto vivo, consolidado, conhecido não só em Teresina, mas em outros estados e até fora do país através dos turistas que passam por aqui. Sempre tivemos a esperança de que um dia seria uma tradição piauiense", destacou.
O cantor explica que o principal objetivo sempre foi preservar o forró de raiz e abrir espaço para novos talentos da música local, citando nomes como Inácio Botelho, Davi Holanda, Luanna Tavares e Ellen Maria.
Além da música, o que mais emociona Gonzaga é a diversidade do público que frequenta o evento.
"É ver a diversidade e a multiplicidade de pessoas. Toda segunda a gente percebe caras novas, jovens e adultos de diferentes estados, cidades, cores e raças. Acho lindo", contou.
Nem tudo são flores para quem vive da música
Apesar dos avanços na valorização dos artistas locais, Gonzaga acredita que ainda existem muitos desafios para quem decide viver da música em Teresina.
Segundo ele, os bares funcionam como uma importante vitrine, mas, muitas vezes, oferecem remunerações insuficientes para quem está começando.
"Os bares são vitrines, mas sugam demais principalmente quem está começando. Pagam couvert ou cachê irrisório. Lamentavelmente funciona dessa forma. Precisamos de mais apoio político também, leis que possam corrigir esse cenário", afirmou.
O cantor também lembra que precisou buscar outra fonte de renda durante a pandemia.
"Enfrentei sim, principalmente na pandemia, quando tive que me virar como motorista de aplicativo (Uber)", revelou.
Para ele, além de políticas públicas voltadas para o setor, é necessário ampliar a presença dos artistas piauienses nos meios de comunicação.
"Falta apoio político cultural. As rádios deveriam tocar pelo menos 25% de músicas piauienses para que as pessoas ouvissem mais e apreciassem nossos artistas", defendeu.
Legado para as novas gerações
Depois de décadas de carreira, Gonzaga Lu acredita que seu maior legado é contribuir para que o forró de pé de serra continue vivo entre as novas gerações.
"Que não deixem a nossa música de raiz, o forró de pé de serra, morrer. Que deem continuidade, respeitando toda a diversidade musical existente", concluiu.
Com apresentações semanais que reúnem moradores e turistas, o Forró Debaixo da Ponte segue como um dos espaços mais tradicionais da cultura popular de Teresina, fortalecendo artistas locais e mantendo viva uma das principais expressões da identidade musical piauiense.