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Fotojornalista descobre câncer de mama quatro dias antes dos 30 anos e faz alerta às mulheres

Raíssa Morais descobriu três nódulos enquanto amamentava a filha e recebeu o diagnóstico quatro dias antes de completar 30 anos; oncologista alerta para os sinais da doença em mulheres jovens

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  • Raíssa Morais descobriu câncer de mama HER2+ aos 29 anos, durante amamentação, após sentir nódulo que não desapareceu.
  • Diagnóstico revelou disseminação para axila e necessidade de tratamento agressivo, com rápida multiplicação das células.
  • Apesar de não haver histórico familiar, Raíssa destacou importância de conscientização sobre risco de câncer em mulheres jovens.
  • Profissionais alertam sobre mudanças no estilo de vida e reprodução como fatores que podem contribuir para aumento de casos.
  • Campanhas devem abordar cura e prevenção, incentivando mulheres a buscarem ajuda médica ao detectarem alterações no corpo.
Fotojornalista Raíssa Morais | Foto: Arquivo Pessoal
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A fotojornalista Raíssa Morais descobriu o câncer de mama poucos dias antes de completar 30 anos. Na época, ela ainda amamentava a filha quando teve que lidar com o diagnóstico e, aos poucos, foi compartilhando a sua trajetória nas redes sociais.

Eu senti um nódulo. Foi um autoexame. Eu senti realmente que tinha ali um caroço, uma coisa assim, e eu ainda estava amamentando minha filha. Na época, eu achei que fosse leite empedrado. Com o passar do tempo, ele não desmanchava, ele não diminuía e eu busquei uma mastologista para verificar. E aí foi feito o ultrassom e lá eu descobri que eu não tinha apenas um, como eu tinha três na mama, compartilhou.

Raíssa logo em seguida começou a realizar exames e acabou descobrindo que a doença já havia se espalhado da mama para a axila. Ela é portadora do câncer de mama HER2-positivo (HER2+).

Ele tem uma multiplicação muito rápida e é um dos mais agressivos por conta disso, porque ele se multiplica muito rápido. Multiplica as células e o câncer muito rápido. Quando eu comecei, eu estava com três. Acho que três meses depois, mais ou menos, eu já estava com cinco, explicou a fotojornalista.

NÃO HAVIA CASOS NA FAMÍLIA

Ao meionews.com, a fotojornalista afirmou que não havia casos de câncer na família e tampouco probabilidade genética. Ela conta que receber o diagnóstico tão jovem gerou surpresa.

Foi uma surpresa. Foi um baque, mas, depois que eu busquei entender que isso poderia acontecer com qualquer pessoa, você para, assim, de se questionar, sabe? Eu recebi o diagnóstico quatro dias antes de completar 30 anos. Então, foi antes dos 30, disse.

Levou um tempo para Raíssa se sentir confortável e tornar o diagnóstico público. Ela afirmou que optou por revelar nas redes sociais ao se aproximar do início do tratamento, quando teria respostas mais concretas sobre como o processo funcionaria.

Quando eu anunciei, já tinha feito consulta com um oncologista. Já sabia mais ou menos como seria, se eu iria ter ou não quimioterapia. Quando eu comecei a divulgar na internet, vieram muitas pessoas perguntando o que você sentiu, como foi. Muita gente ficou impressionada pela idade, por vários fatores, e aí eu vi que eu poderia usar isso para passar informações. Até porque, quando a gente descobre, a primeira coisa que a gente recebe é um laudo cheio de nomes complicados, comentou.

Raíssa ainda estava tentando se redescobrir em meio a uma nova fase da vida. Ela conta que teve que lidar com um mundo totalmente diferente, com novas nomenclaturas.

“A gente tem que começar a pesquisar o que significa aquilo. Vários termos que são totalmente fora do dia a dia”, disse.

CÂNCER DE MAMA EM MULHERES MAIS JOVENS

Apesar de o câncer de mama ser considerado menos comum em mulheres abaixo dos 40 anos, o número de casos vem sendo mais frequente. Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que a proporção de mulheres diagnosticadas abaixo dessa idade subiu de aproximadamente 7,9% para mais de 21% em séries históricas recentes.

O médico oncologista Danilo Fonseca afirmou que a ciência ainda não conhece a resposta sobre o que estaria levando ao aumento de casos entre mulheres jovens. “Essa resposta não é completamente conhecida e os fatores não são completamente elucidados pela ciência”, afirmou. No entanto, o especialista listou alguns fatores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

“A análise que se tem dessa situação se deve a algumas situações e fatores que seriam mudança do comportamento reprodutivo das mulheres, que estão tendo filhos mais tarde, estão tendo menos filhos, os padrões de amamentação têm mudado também, porque, então, essa mudança do perfil em relação ao comportamento de reprodução é um dos motivos, mas também os fatores relacionados ao próprio estilo de vida: consumo de álcool, o sedentarismo, a ausência de atividade física e a própria alimentação, quando não é uma alimentação baseada em alimentos saudáveis. Tudo isso contribui para o aumento da incidência de câncer de mama em jovens”, completou.

DESAFIOS ENFRENTADOS PELAS MULHERES

O médico elucidou que, durante o tratamento de câncer de mama, mulheres podem passar por um processo chamado de “hormonioterapia”, que nada mais é que o bloqueio dos hormônios. Danilo explicou que isso pode acarretar efeitos como a entrada na menopausa antes do tempo, o que pode gerar alterações no humor, insônia e alteração na libido.

O especialista também destacou que o tratamento da doença, que costuma ser mais invasivo, pode impactar a saúde mental e a autoestima dessas mulheres. O oncologista alertou para a necessidade de as mulheres estarem atentas ao fato de que podem desenvolver a doença mesmo sendo mais jovens.

É importante perceber que o conhecimento de que o câncer de mama pode acontecer em mulheres jovens é extremamente importante, porque a mulher vai conseguir ter uma conscientização, um autocuidado e, se eventualmente descobrir um câncer no estágio inicial, ela vai passar por uma jornada menos intensiva. Essa jornada menos intensiva acaba impactando menos a qualidade de vida dela, gerando um potencial de cura muito maior, comentou.

OS PRIMEIROS SINTOMAS

O oncologista citou os sintomas mais comuns:

  • Surgimento de nódulos;
  •  Endurecimento da mama;
  • Alteração de cor;
  • Inversão do mamilo;
  • Assimetria das mamas;
  • Saída de líquido de cor sanguinolenta.

O especialista também alerta para que as mulheres estejam atentas às mudanças no próprio corpo e busquem acompanhamento médico.

A minha orientação e dica é que toda mulher conheça o seu corpo e que, ao detectar alterações, procure um médico. Não precisa alarmar e nem que isso gere angústia, mas que isso gere autocuidado e consciência da necessidade de buscar auxílio médico, disse.

Além disso, as diretrizes atuais do Ministério da Saúde e das sociedades médicas recomendam que as mulheres façam a mamografia de rastreamento a partir dos 40 anos de idade. No entanto, mulheres abaixo dessa idade devem fazer exames de rotina de forma periódica e se atentar às mudanças no corpo.

A MENSAGEM QUE FICA

Ao ser questionada pela reportagem sobre o que a sociedade ainda precisa avançar no enfrentamento ao câncer de mama, a fotojornalista defendeu que as campanhas de conscientização não se limitem apenas à prevenção, mas que também seja abordado que a cura é possível.

Ela deixou um recado para as mulheres em alusão ao Dia Mundial de Combate ao Câncer de Mama, celebrado nesta segunda-feira, 19 de outubro.

Qualquer diferença mínima que você sentir no seu corpo, não necessariamente um nódulo. Ele pode vir de forma mais discreta, pode doer ou não. Não espere evoluir para você buscar ajuda. Mantenha uma rotina adequada de sono, de físico. Você praticar um exercício, um esporte, alimentação mais equilibrada, o mental. Você tem que estar com o mental equilibrado, que hoje em dia é bem difícil, alertou.

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