- Policia Civil do Piauí cumpre mandado contra mulher suspeita de estelionato em Campo Maior.
- Denise, ex-funcionária, teria desviado R$ 160 mil de valores de pacientes em clínica odontológica.
- Investigação revela sistema de pagamentos cruzados e falsificação de registros financeiros.
- Denise fugiu para Belém após ser acusada e admitiu crimes, mas não compareceu à reunião com proprietários.
- 34 pacientes são apontados como vítimas, com idosos sendo alvo de pressão para pagamentos em dinheiro.
A Polícia Civil do Piauí cumpriu, na manhã desta quinta-feira (20), um mandado contra uma mulher, identificada pelas iniciais D.S., na cidade de Belém, no Pará. A ex-funcionária de uma clínica odontológica de Campo Maior é suspeita de esquema de estelionato e falsidade ideológica que teria causado um prejuízo estimado em R$ 160 mil.
Denise chegou a Campo Maior há cerca de 12 anos, vinda de Belém, e conseguiu emprego na clínica odontológica. Ao longo dos anos, teria conquistado a confiança dos proprietários e dos pacientes, o que, segundo a polícia, teria facilitado a prática dos golpes.
De acordo com o delegado Francisco Herdeson de Oliveira Bernardo, titular do 1º Distrito Policial de Campo Maior, a ex-funcionária teria utilizado a função que exercia para abordar pacientes e receber valores referentes a tratamentos odontológicos.
A suspeita teria adotado uma abordagem semelhante com diferentes pacientes. Ela oferecia descontos considerados elevados para quem realizasse o pagamento em dinheiro e, em algumas situações, alegava que a clínica estaria enfrentando problemas na conta bancária, o que justificaria a preferência pelo pagamento em espécie.
Segundo os relatos, Denise ficava com parte ou até mesmo com a totalidade dos valores recebidos, enquanto o pagamento não era registrado como quitado pela clínica. Para evitar que os pacientes percebessem a situação e procurassem o estabelecimento para reclamar de uma suposta pendência, ela utilizaria os pagamentos recebidos posteriormente de outros clientes para quitar os débitos anteriores.
As suspeitas começaram a ganhar força depois que uma paciente desconfiou da abordagem e procurou a clínica. A partir daí, a administração passou a verificar movimentações financeiras e identificou valores que, segundo as investigações, não coincidiam com os registros da clínica.
Ao ser questionada pelos proprietários, Denise teria afirmado que resolveria a situação quando chegasse à clínica. No entanto, no momento em que seria realizada a reunião, ela não compareceu e deixou Campo Maior. Ainda segundo as informações levantadas durante a investigação, a ex-funcionária teria admitido os crimes e informado que estava arrependida, mas que seguiria para Belém, no Pará, sua cidade natal.
ESQUEMA TERIA LESADO DEZENAS DE PACIENTES
As investigações apontam que Denise teria utilizado um sistema de pagamentos cruzados, usando valores recebidos de um paciente para quitar débitos ou pagamentos de outros. A prática teria criado uma dinâmica semelhante a uma “pirâmide” e dificultado a identificação das irregularidades.
Segundo a Polícia Civil, a apuração durou cerca de três meses, com análise de registros da clínica, comprovantes de transferências bancárias e outras informações financeiras.
Até o momento, 34 pacientes são apontados como vítimas, enquanto 20 boletins de ocorrência foram registrados por suspeitas de estelionato e falsidade ideológica. Entre os prejudicados estão idosos que relataram ter sido pressionados a realizar pagamentos em dinheiro ou transferências.
A polícia também investiga se a relação de confiança construída pela ex-funcionária ao longo dos anos e aspectos relacionados à sua religião teriam sido usados para diminuir a desconfiança das vítimas.
FUGA PARA BELÉM
Depois que o caso veio à tona, Denise deixou Campo Maior e seguido para Belém, no Pará. A Polícia Civil do Piauí deu continuidade às investigações até localizar a investigada na capital paraense e cumprir a medida judicial. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil, que busca esclarecer a extensão dos crimes, identificar todas as vítimas e dimensionar o prejuízo causado à clínica e aos pacientes.
(Com informações do Campo Maior em Foco)