- Ex-funcionária da telefonia é acusada de liderar esquema de fraudes eletrônicas na Operação Chip Falso, deflagrada em Teresina.
- Rosana Rodrigues e marido estão foragidos, teriam usado informações privilegiadas para realizar golpes de SIM Swap.
- Central do grupo funcionava em residência no Monte Castelo, ocupada por parentes que não sabem onde ela está.
- Golpe SIM Swap envolvia clonagem de contas, invasão de bancos e compras fraudulentas com dados das vítimas.
- Investigação aponta uso de documentos falsos, selfies manipuladas e IA para burlar sistemas de validação de identidade.
Uma ex-funcionária de uma empresa de telefonia é apontada como a principal articuladora de um suposto esquema criminoso de fraudes eletrônicas investigado na Operação Chip Falso, deflagrada nesta quarta-feira (15), em Teresina. A informação foi revelada pelo delegado Humberto Márcola, do Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).
A suspeita trata-se de Rosana Rodrigues da Silva. Conforme apurado pela reportagem, ela e o esposo estão foragidos. Em entrevista à Rede Meio Norte, o delegado informou que a mulher teria utilizado informações privilegiadas sobre os sistemas da operadora para realizar o golpe conhecido como SIM Swap.
“Com esse conhecimento, ela conseguia fazer toda essa clonagem, angariar essas pessoas para que pudesse, fazer o SIM Swap, mudar a titularidade de uma pessoa que é legítima, que é cliente normal, para um criminoso, transferindo essa titularidade”, informou o delegado.
A central operacional do grupo funcionava em uma residência no bairro Monte Castelo, na zona Sul de Teresina, chamada de “casa das fraudes”. O imóvel era de propriedade de Rosana, mas estava sendo ocupado por parentes no momento em que a equipe da Rede Meio Norte esteve no local.
Em entrevista, uma familiar relatou que Rosana já teria se mudado de lá há meses, mas que não sabia o paradeiro dela.
Como funcionava o golpe do SIM Swap?
Segundo a Polícia Civil, o golpe conhecido como "SIM Swap" consistia na transferência ilegal de linhas telefônicas de clientes legítimos para chips virgens controlados pelos criminosos. Com o acesso ao número das vítimas, o grupo conseguia praticar diversos tipos de fraude.
Entre os crimes praticados estavam:
- Clonagem de contas de WhatsApp para aplicar golpes, como falso parente e falso advogado;
- Invasão de contas bancárias e realização de transferências indevidas;
- Compras fraudulentas utilizando dados das vítimas.
As investigações indicam que os suspeitos utilizavam mecanismos para burlar a validação de identidade, prática conhecida como "injeção de selfie", com uso de:
- Documentos falsificados;
- Selfies biométricas manipuladas;
- Imagens geradas por Inteligência Artificial (IA).
Além disso, segundo o delegado, na residência o grupo recrutava pessoas para fornecer CPF e biometria facial em troca de dinheiro. Esses dados eram utilizados para cadastrar as linhas telefônicas transferidas ilegalmente.
Então, a pessoa entrava no sistema, o grupo criminoso acessava o sistema da operadora de telefonia, fazia a identificação facial e inseria os dados de forma ilegítima e não autorizada. É importante destacar que as empresas de telefonia não tinham conhecimento dessas ações, afirmou.
OPERAÇÃO
Ao todo, foram cumpridas 30 ordens judiciais na capital. A ação teve como alvo uma associação criminosa estruturada, especializada na prática de fraudes eletrônicas e invasões de sistemas informáticos. Dez pessoas foram presas, e aparelhos celulares e computadores foram apreendidos.