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Estudante baleado em escola de Teresina não poderá participar de tratamento experimental para lesão medular

João Lucas, de 17 anos, não atendeu aos critérios clínicos exigidos para participar da pesquisa sobre tratamento inovador voltado a pacientes com lesão medular

Projétil alojado, idade e condição neurológica pesaram na decisão | Foto: Reprodução
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O estudante João Lucas Campelo, de 17 anos, que ficou tetraplégico após ser baleado dentro de uma escola particular em Teresina, não poderá participar do tratamento experimental com polilaminina, substância estudada para reabilitação de pacientes com lesão medular.

De acordo com a mãe do adolescente, Cleytiana Campelo, o filho não se encaixou nos critérios estabelecidos pelos pesquisadores. Em vídeo publicado nas redes sociais ela explicou que, três fatores foram determinantes para a negativa: o projétil ainda estar alojado no corpo, a menoridade de João e a condição neurológica atual.

A polilaminina é estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão produzida em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e responsável por auxiliar na conexão entre neurônios. A substância vem sendo testada em pacientes tetraplégicos e tem apresentado resultados considerados inovadores.

Critérios médicos impediram participação

De acordo com Cleytiana, a equipe médica explicou que o quadro clínico de João não atende às exigências do protocolo da pesquisa.

“Semana passada eu tive uma consulta médica com um dos médicos do laboratório Cristália e ele nos deu três alegações: foi o projétil, a idade — o João vai fazer 18 agora em abril — mas a questão neurológica é que eles precisam que o paciente receba comandos”, afirmou.

Ela explicou ainda que o filho demonstra consciência no dia a dia, mas isso não foi suficiente para os critérios técnicos do estudo.

“João só responde comandos quando ele quer. A gente sabe que ele está consciente porque acompanha ele diariamente, mas o laudo do médico diz outra coisa. Então eu peço que continuem firmes na fé comigo, orando pelo neurológico do João e pelos pulmões dele”, disse.

Apesar da frustração, Cleytiana afirma que considera a sobrevivência do filho um milagre. João foi baleado na cabeça no dia 4 de dezembro de 2024 e socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Em abril de 2025, recebeu alta hospitalar e passou a continuar o tratamento em casa, por meio de serviço de home care.

O caso

João Lucas foi baleado dentro de uma escola particular, em Teresina. A ex-namorada dele, também de 17 anos e estudante da mesma instituição, é apontada como autora do disparo.

Segundo o delegado Tales Gomes, responsável pelo atendimento da ocorrência, os dois estavam no refeitório da escola, acompanhados apenas por uma funcionária da cantina. Após uma conversa entre os adolescentes, ocorreu o disparo. O tiro atingiu a boca do estudante e ficou alojado na coluna.

Depois do crime, a jovem deixou a arma sobre uma mesa e fugiu da escola. Ela entrou em um estabelecimento comercial próximo e relatou aos funcionários o que havia feito. Em seguida, foi apreendida pela Polícia Militar.

A arma utilizada no disparo pertencia ao pai da adolescente, que é policial militar. Uma faca do tipo peixeira também foi encontrada na mochila da jovem. A Polícia Militar do Piauí (PMPI) informou que abriu sindicância, por meio da Corregedoria, para apurar o envolvimento do pai.

A adolescente foi encaminhada a um centro educacional e responde por ato infracional análogo à tentativa de homicídio.

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